Usuários ainda sofrem as consequências do mau uso das tecnologias

Pequenos cuidados com as lesões oculares provocadas pela exposição às telas e com as fadigas musculares fruto da postura errada diante do computador podem fazer toda diferença

Luiza Alencar

olho maquina
Ardor, coceira, vermelhidão e visão turva são alguns sintomas das lesões na superfície ocular, que podem ser amenizados com o uso de colírios lubrificantes, de preferência, sem conservantes.

Os equipamentos eletrônicos são grandes facilitadores da vida contemporânea, mas o uso intenso e sistemático dessas ferramentas pode ter impacto negativo na saúde. Você já calculou quanto tempo passa em frente a uma tela? Computadores, smartphones, tablets. São muitas as seduções digitais, assim como os problemas ocasionados pelo seu mau uso.
A visão é um ponto que merece bastante atenção. Em frente ao computador, é natural a redução na quantidade de piscadas, o que pode ocasionar o ressecamento dos olhos. Segundo o oftalmologista Pedro Leonardo Soriano, especialista em córnea que atua no Hope (Hospital de Olhos de Pernambuco), ao utilizar equipamentos eletrônicos por muito tempo, reduzimos a quantidade de piscadas de 22 para 5 vezes por minuto. O que pode causar pequenas lesões na superfície ocular, gerando ardor, coceira, vermelhidão e visão turva, que podem ser amenizados com o uso de colírios lubrificantes, de preferência, sem conservantes. Porém, o fator ambiental, como o ar-condicionado e a iluminação, também precisa ser considerado.
Sintomas como dores nas costas, ombros e cabeça, tendinite e fadigas musculares estão diretamente relacionados à postura dos usuários diante do computador. A fisioterapeuta Susana Bastos, especialista em ergonomia, explica que o problema não é a ferramenta, mas o uso incorreto da mesma. Por isso, é preciso realizar pausas regulares para se alongar, relaxar os membros e lubrificar os olhos. “As articulações, nervos, músculos e tendões sofrem compressão quando mantidos por longo período numa mesma postura. Lembrando que estes tecidos estão repletos de células nutridas por pequenos vasos de baixa pressão.

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Oftalmologista Pedro Leonardo Soriano lembra que, ao utilizar equipamentos eletrônicos por muito tempo, reduzimos a quantidade de piscadas de 22 para 5 vezes por minuto

O mal posicionamento facilmente pode interromper este suprimento, matando algumas células, sem provocar sintomas no usuário. Os sintomas só aparecem quando oferecemos tarefa a este tecido enfraquecido, daí a dificuldade dos pacientes aceitarem que a má postura foi quem gerou o processo”, explica.
A especialista cita ainda o estresse como o agente que agrava, ou até mesmo provoca, o aparecimento dessas sintomatologias. Diante desse quadro, afirma Suzana Bastos, um ortopedista deve ser consultado para posterior tratamento, ressaltando que “a atividade física regular e uma alimentação saudável, colaboram para uma boa qualidade de vida”.
O perigo nas mãos

A contadora Camylla Batista Silva, 22 anos, conta que as dores nas mãos começaram quando ela trabalhava em uma empresa que não oferecia condições de trabalho adequadas e, após o uso contínuo de aplicativos de trocas de mensagem através do smartphone, as dores pioraram. “Eu usava muito o Excel, digitava muito. Nós pedíamos a compra do mousepad em gel e a empresa não comprava. Foi piorando. Quando saí de lá, comecei a usar muito o Whatsapp e as dores nas duas mãos ficaram insuportáveis”, recorda Camylla. “Procurei um ortopedista e após os exames fiz 20 sessões de fisioterapia. Melhorou muito, mas sempre que uso muito a mão, dói. Por isso uso luva e mousepad em gel”.
Susana Bastos explica que esta prática tem provocado maior incidência de dores nos dedos, sobretudo no polegar – mais usado na digitação desses aparelhos, principalmente os modelos mais finos –, levando à sobrecarga dos tendões abdutor longo e extensor curto desse dedo, além do desgaste da cartilagem da base da articulação. Ela ressalta que a postura incorreta de flexão da coluna cervical (pescoço), tem provocado alguns danos na região, devido à exposição prolongada da musculatura à tensão.
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Fonte: Diário de Pernambuco

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