
Afastado por 180 dias do governo do Rio de Janeiro por ser acusado de participar de um esquema de desvio de recursos na saúde, Wilson Witzel (PSC) garante ser inocente e vítima de um “linchamento político” liderado por um antigo aliado, o presidente Jair Bolsonaro.
Para Witzel, a investigação contra ele, o governador interino Cláudio Castro (PSC) e André Ceciliano (PT), da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), facilitam que o governo tenha um “controle maior” sobre o Rio de Janeiro.
Este seria um desejo do presidente Jair Bolsonaro, que em reunião ministerial que veio à público, avisou ao então ministro da Justiça Sergio Moro que queria trocar o comando da Polícia Federal no RJ. A situação foi um dos motivos para o rompimento de Moro com o governo.
Ex-juiz, Witzel diz que tomou todos os cuidados nas negociações com Lucas Tristão e que a perseguição sofrida é uma ofensa ao Estado democrático de Direito. “Você ter um Estado que está ficando completamente à mercê do governo federal. É praticamente uma intervenção branca”, acusa.
ELe alega que os valores que envolvem os contratos sob investigação são “completamente incompatíveis” com os declarados pelo delator, o ex-secretário de Saúde Edmar Santos.
“Sou inocente, fui eleito para combater o crime organizado, minha mulher é uma pessoa decente, jamais aceitou qualquer valor que não fosse para que ela trabalhasse. Nunca. Os valores são completamente incompatíveis com aquilo que o Edmar [Santos, ex-secretário da Saúde e delator] está dizendo a que eu teria direito a receber como fruto de corrupção”, garante Witzel.
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o governador lembra que foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) sem ter tido acesso à denúncia e a uma chance de apresentar defesa.


























