Xadrez em Pernambuco
Por Houldine Nascimento
O anúncio da filiação do prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, ao Democratas já movimenta as peças do tabuleiro político pernambucano. Um encontro em Brasília, na última quarta-feira (25), com as participações do presidente nacional da sigla, ACM Neto, e de Mendonça Filho, que lidera a legenda em Pernambuco, definiu a saída de Miguel do MDB, ratificando sua intenção em disputar o Governo. O deputado federal Fernando Filho (DEM), irmão de Miguel, também esteve no ato.

A ida do gestor petrolinense à capital federal não se restringiu a esta reunião. No mesmo dia, ele almoçou com a cúpula do PDT. O presidente nacional do partido, Carlos Lupi, e o vice, deputado André Figueiredo (CE), estiveram neste encontro, além do líder pedetista na Câmara, Wolney Queiroz, que também é presidente do PDT em Pernambuco.
Embora incipiente, a conversa traça uma possibilidade de aliança entre DEM e PDT não só no Estado, mas envolvendo a conjuntura nacional. Isso abre caminho para que o pré-candidato pedetista à Presidência, Ciro Gomes, tenha um palanque para chamar de seu em Pernambuco. Houve elogios mútuos no encontro.
À coluna, Miguel afirmou que está ouvindo diversas lideranças partidárias e que espera estreitar a relação com os pedetistas: “O PDT é uma das legendas que queremos avançar em uma aliança. O DEM, é bom lembrar, já tem uma relação com o PDT em várias cidades importantes como Salvador e provavelmente isso se estenderá para a campanha estadual. Aqui em Pernambuco temos uma excelente relação com o deputado Wolney e creio que seja possível uma aliança entre os dois partidos para mudar Pernambuco e oferecer um novo rumo. A conversa foi boa.”
Carlos Lupi, por sua vez, expôs a pretensão do PDT de ocupar uma das vagas majoritárias na chapa. “Ele (Miguel) considera essa questão de Ciro com muito carinho. Nós também estamos discutindo com ACM Neto. Avaliamos o quadro de Pernambuco: ele colocou o desejo de ter o apoio do PDT e nós colocamos nossa prioridade, que é o palanque nacional e uma vaga na chapa majoritária, ou de vice-governador ou senador. A questão dos estados é muito amarrada à nacional. De qualquer maneira, abrimos essa primeira conversa e fiquei muito bem impressionado com a determinação do prefeito Miguel, com a sua competência. É jovem, muito preparado”, afirmou ao Blog.
Em Pernambuco, o PDT compõe a Frente Popular, encabeçada pelo PSB, mas as lideranças pedetistas estão assistindo com atenção à reaproximação entre socialistas e o PT. O recente desembarque de Lula no Estado, com direito a um jantar montado pelo governador Paulo Câmara (PSB) no Palácio do Campo das Princesas, acendeu o alerta. “À medida que o PSB se aproxima do PT, somos obrigados a buscar alternativas na mesma proporção. Estamos dialogando com outras forças e o PSB tem conhecimento disso. É uma realidade que se impõe ao nosso partido para construir esse palanque de Ciro”, declarou Wolney à coluna.
A considerar também nesse xadrez o fato de o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), pai de Miguel, estar na liderança do Governo Bolsonaro no Senado, o que faz com que toda essa movimentação seja bastante cautelosa.
























