De Gabriela a Luz: a evolução das mocinhas nas novelas

De Gabriela a Luz: Uma evolução no perfil das mocinhas dos anos 70 até os dias de hoje. (Foto: Colagem/O Canal)

Na década de 1970, a ONU designou o ano de 1975 como o Ano Internacional da Mulher e, no dia 8 de março, instituiu-se a data que, hoje, chama-se de Dia Internacional da Mulher – uma data não de celebrar, mas de lembrar o papel da mulher na sociedade, o quanto ele já foi menor do que é hoje e o quanto ele ainda precisa ser revisto diariamente, de forma a garantir a tão óbvia igualdade de gênero.

Por coincidência, ia ao ar, justamente neste ano, uma das novelas que ficaria marcada na história como uma das mais fortes representações femininas da história da dramaturgia: Gabriela. A adaptação de Walter George do clássico romance Gabriela, Cravo e Canela seria responsável por eternizar Sônia Braga na mente dos brasileiros como a personagem título e por mostrar uma protagonista forte, não submissa e aguerrida.

Um papel que, às mocinhas, demoraria algum tempo para voltar a “moda”.

Entre o fim dos anos 70 e até o começo da década de 90, a maioria das mocinhas, salvo algumas poucas exceções – como Gabriela -, se resignaram a ser a típica sofredora, que funciona como um elemento clássico para fazer a história andar (algo que ainda existe hoje, mas com bem menos frequência).

É justamente quando os anos 90 chegam que esse papel começa a mudar e evolui para a mocinha-heroína, em sua maioria: Aquela que não é mais apenas a personagem que espera as tramas ao seu redor se desenrolarem para agir, mas que participa ativamente da trama. Raquel de Vale Tudo, Ruth de Mulheres de Areia, Dinah de A Viagem, Ester de Força de Um Desejo… São várias as mocinhas dessa época que, por mais que ainda possuam muito das características clássicas, já não eram mais apenas uma figura inerte.

Essa evolução entra com tudo na década de 2000, onde o papel da mocinha, via de regra, se estabelece como o de heroína – alguém que busca lutar contra injustiças (da vida e contra ela), que quer dar a cara a tapa para mudar algo ou simplesmente perseguir um sonho. É aqui que conhecemos mocinhas clássicas e que já estão na história das telenovelas, como Maria do Carmo (Senhora do Destino), Maria Clara (Celebridade), Sol (América), Preta (Da Cor do Pecado) e Donatela (A Favorita).

Esse modelo – de mocinha heroína – é usado até hoje, mas como tudo o mais ligado à produção de telenovelas, ele se modernizou para uma adequação aos novos tempos. Agora, as mocinhas, além de serem simplesmente heroínas, também trazer um quê de feminismo necessário aos novos tempos.

Luzia (Segundo Sol), Marocas (O Tempo Não Para), Cris (Espelho da Vida), Lívia (Além do Tempo), Rose (Cama de Gato), Amélia (Joia Rara) e agora, Luz (O Sétimo Guardião)… São muitos os exemplares da nova mocinha: Aquela que faz as vezes de heroína, mas que também não espera que ninguém lhe ajuda. Que toma as rédeas da situação e faz da tripas, coração, para ser respeitada, ser independente e atingir seus objetivos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *