Lideranças nacionais com trajetórias marcantes, o ex-presidente João Goulart (1919-1976) e o ex-governador Leonel Brizola (1922-2004) eram cunhados, gaúchos e donos de personalidades bem distintas. O advogado e escritor Christopher Goulart, neto do ex-presidente, ressalta a importância de ambos para a história da democracia brasileira e destaca o papel do avô para evitar conflitos armados no Brasil nos anos 1960.
“Sempre digo que é preciso pontuar os contextos. Jango (João Goulart) era um líder nacional; a caneta dele pesava mais. Brizola era um grande líder, que tinha sua representação muito vinculada ao Rio Grande do Sul. Quando se tem uma responsabilidade maior, o buraco é mais embaixo. Tenho orgulho de dizer que meu avô evitou duas guerras civis no Brasil, por exemplo”, destacou Christopher, em entrevista ao podcast do Magno Martins.
“Jango não aceitou um brasileiro morto em função da manutenção dele no cargo de presidente. Esses são os detalhes que precisam ser exaltados da pessoa dele. Ele podia ter ficado mais tempo no poder, mas levaria o país a uma guerra e ele não quis isso. Meu avô tinha muito mais informações que o Brizola, sabia dos movimentos. O Brizola muitas vezes jogava para a torcida. Não é bem assim que funciona a coisa. Eles eram estilos diferentes. Brizola era mais aguerrido e meu avô mais conciliador, mais do diálogo. Eram dois grandes líderes que disputavam espaço na época; havia os janguistas e os brizolistas. Enfim, eram estilos muito diferentes”, completou o neto de Jango, que recentemente lançou o livro E Manchado de Sangue Terás que Crescer: Uma Vida de Lutas.




























