Por falta de chuvas na zona da Mata, as usinas estão sendo obrigadas a antecipar o fim da moagem. A usina Coaf, antiga Cruangi, com previsão para moer 450 mil toneladas de cana até janeiro de 2017, encerrará a moagem, antecipadamente, nesta terça-feira (13), com apenas 344 mil toneladas.
A escassez de água forçou a usina a paralisar suas atividades com mais de 30 dias antes do previsto e uma frustração de mais de 100 mil toneladas.
Embora a unidade industrial tenha tido aumento de 18% na moagem, em comparação ao ano de 2015, atingindo 344 mil toneladas, houve frustração nas expectativas deste ano.
A usina foi reaberta em 2015 através de uma cooperativa de fornecedores de cana com o apoio do governador Paulo Câmara.
Ele concedeu incentivos fiscais, através da elevação do crédito presumido do ICMS do etanol produzido no próprio local. No entanto, com a queda da safra em razão da estiagem, o impacto será sentido também nos milhares de postos de trabalho que a reabertura da usina trouxe para o Estado.
De acordo com a direção da empresa, haverá demissões antecipadas por falta de cana. Não só na usina, mas nos canaviais dos 700 produtores cooperados que arrendaram a unidade.
“A redução de empregos por tonelada de cana devido à seca é de cinco demissões”, afirmou Alexandre Andrade Lima, presidente da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco.
Com isso, serão 250 demissões de funcionários na usina, restando apenas 70 empregados, responsáveis pelo apontamento de equipamentos a fim de deixá-los adequados para a fabricação de etanol da próxima safra, como também de açúcar.
Já no campo, segundo ele, o número de demissão será bem superior. Serão desligados mais de dois mil trabalhadores nos canaviais dos fornecedores cooperativados.
De junho a outubro deste ano, a chuva ficou bem abaixo do esperado. Em outubro, choveu apenas um quarto da média histórica. Nos outros meses, só um pouco mais de um terço. Os dados pluviométricos são da Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC).
A moagem na usina Cruangi produziu 28,7 milhões de litros de etanol nesta safra 2016/2017. A unidade destacou-se por pagar o maior ATR de todas as usinas do Estado. O ATR é uma taxa que mede o nível de sacarose da matéria prima – indicador responsável por definir o preço da cana.
O valor médio pago aos fornecedores de cana foi de R$ 147 por um quilo de ATR e nenhuma outra usina alcançou este percentual médio.
























