Cheques voadores em Sertânia

Dois dias após a posse, prefeitos começaram, ontem, a ter a exata noção da massa falida que estão recebendo dos seus antecessores. Em Sertânia, a 300 km do Recife, o ex-prefeito Guga Lins (PSDB) não deixou discriminada a relação dos cheques que assinou com pagamentos aos credores da municipalidade. Assustado com a imensa quantidade de cheques voadores no mercado, o novo prefeito Ângelo Ferreira (PSB) registrou um boletim de ocorrência na delegacia local e de posse do documento foi aos bancos sustar todos os cheques.

Ele não sabe, na verdade, quantos cheques e seus valores estão em poder de credores, mas desconfia que sejam muitos. Do Recife, um aliado ligou para pedir o pagamento de um “borrachudo” de R$ 35 mil, mas, evidentemente, não atendeu, até porque recebeu a Prefeitura com o caixa deficitário, com mais de R$ 9 mil negativos. “Estou atônito, sem informação alguma e desconfiado de que o rombo no caixa seja muito grande”, disse.

Estarrecido, Ângelo diz que desconfia, também, que existam muitos valores comprometidos em cheques cujos serviços possam não ter sido prestados ao município. “Só pago, primeiro se tiver dinheiro, segundo se comprovar que os serviços foram de fato prestados”, afirmou, adiantando que o ex-prefeito deixou também as instalações da Prefeitura sucateadas. O ex-prefeito sequer teve o cuidado de tirar o mofo das paredes nem tampouco pintar.

Em Salgueiro, prevendo o pior, o novo prefeito Clebel Cordeiro (PSB) baixou duas medidas, ontem, decretando calamidade financeira. Com isso, fica acobertado pela lei para contratar serviços para manter o essencial e emergencial, principalmente na área social. Prefeitos que receberam o poder de adversários têm que correr porque a lua de mel com a população é curta, dura entre seis a oito meses. Se até lá nada fizer de impactante, pode cair no descrédito.

Por isso, pecam aqueles que não anunciam um pacote de medidas de impacto, preferindo vistoriar obras, como é o caso do Professor Lupércio, de Olinda, que ainda não disse a que veio. Não sabe ele que os primeiros cem dias são de medidas austeras, fruto de longas reuniões para identificar a saúde fiscal do município. Olinda não quer ver Lupércio nas ruas. Quer saber quais as medidas moralizadoras tomadas para salvar o município e dar o norte da sua gestão. (Magno Martins)

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