É preciso deixar 64 em paz e olhar para frente

Jair Bolsonaro é um sincero defensor de 64 e ninguém irá mudar o seu pensamento 

Em 1984 Tancredo Neves renunciou ao governo de Minas para disputar a Presidência da República numa eleição indireta (colégio eleitoral). Pertencia ao MDB, partido de oposição ao governo do general Figueiredo, e fizera aliança com uma dissidência do partido governista (PFL), liderada pelo mineiro Aureliano Chaves e o pernambucano Marco Maciel, para garantir os votos necessários à sua eleição. Pois bem, numa de suas vindas ao Recife, Tancredo foi questionado por jornalistas pelo fato de estar aliado a dois políticos que deram sustentação ao regime de 64. Tirou a pergunta de letra com uma resposta que só um sábio como ele saberia dar. “Meus queridos amigos jornalistas! O movimento militar (evitou a palavra “golpe”) de 64 é um fato político e sociológico que pertence à história. E quem sou eu para julgá-lo? Isso é tarefa para os politólogos, os sociólogos e os historiadores”.

A lembrança vem a propósito da inquirição que é feita todos os dias ao candidato presidencial Jair Bolsonaro por ser capitão do Exército e ter dado apoio àquele movimento. Ora, todo mundo sabe que Bolsonaro é um sincero defensor do regime militar e que jamais mudará seu pensamento por ser candidato a presidente da República, com chances inclusive de chegar ao segundo turno. Ele tem que ser questionado sobre a agenda que propõe para o país. Questioná-lo sobre a mesma coisa (64) todos os dias é despreparo político, pobreza jornalística e desconhecimento da história.

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