
No segundo turno, o candidato à Presidência da República do PSL, o deputado federal Jair Bolsonaro, contará com uma maior “vitrine” para sua campanha com dois blocos diários de 10 minutos, principalmente, para atingir o eleitorado nordestino. Mesmo sem palanques estaduais fortes na região e com ínfimos oito segundos de tempo de TV e rádio no horário eleitoral, o presidenciável conseguiu vencer em seis das nove capitais do Nordeste contra o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). Agora, aliados de Bolsonaro falam em ter uma “virada enorme” na região com a ajuda do guia eleitoral que começa nesta sexta-feira (12).
“(A virada entre os eleitores nordestinos) Vai independer de palaques tradicionais. Eu posso te dizer aquilo que Bolsonaro já falou. A grande surpresa vai ser no Nordeste. Vamos dar uma virada enorme. Vamos ultrapassá-lo no Nordeste porque a gente preserva a família, as propriedades (privadas), a tradição, a religiosidade, a correção, o respeito às instituições e nada disso acontece do outro lado”, afirmou o fundador e presidente nacional licenciado do PSL, Luciano Bivar.
Bivar avalia que, como a internet – onde o presidenciável do PSL tem maior força – não chega nos rincões da região como nos centros urbanos isso pesou para que o desempenho de Bolsonaro tenha sido bem discrepante.
“É claro que como o nosso País é um País continental, a ressonância do teu programa (na internet) chega mais difícil na periferia do Nordeste do que aqui nos grandes centros. Então, até que essas informações verdadeiras cheguem lá”, disse.
Na Bahia, o maior colégio eleitoral do Nordeste com 10,3 milhões de eleitores, o deputado federal declarou apoio ainda no hospital se recuperando do atentado sofrido em Juiz de Fora (MG) ao candidato do DEM ao governo, José Ronaldo. Com o PSDB na sua coligação – que teve o ex-governador Geraldo Alckmin como presidenciável -, o demista que já vinha flertando com os bolsonaristas e anunciou voto no capitão em debate na TV Bahia às vésperas da eleição. Ele acabou ficando em segundo lugar na disputa vencida no primeiro turno pelo atual governador Rui Costa (PT) com 60,28% dos votos (mais de 5 milhões de votos).
Já Zé Ronaldo obteve 22,26% dos votos (1,5 milhão). Mais de 200 mil votos a menos do que o próprio Bolsonaro conseguiu no Estado. O presidenciável ficou com 23,41% dos votos (1,7 milhão de votos). Haddad teve 60,28% dos votos (4,4 milhões de votos).
Segundo maior colégio eleitoral da região com 6,5 milhões de eleitores, Pernambuco não teve um candidato ao governo apoiado pelo capitão reformado. O ex-prefeito de Petrolina, Julio Lossio (Rede), até se aproximou de aliados do presidenciável na reta final da eleição, desafiando a direção do partido. Mas acabou em quarto lugar com 4,67%, (176 mil votos).
Apoiado pelo PT, o governador Paulo Câmara (PSB) acabou reeleito no primeiro turno com 50,70% dos votos. Já Bolsonaro teve 1,4 milhão de votos. Haddad teve 2,3 milhões de votos. No Estado, o presidente estadual do PSDB, Bruno Araújo, e a principal liderança do DEM Mendonça Filho já declararam apoio ao capitão reformado no domingo (7). Ambos foram derrotados na disputa pelo Senado pelo deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) e o senador Humberto Costa (PT), que integraram a chapa majoritária de Paulo Câmara.
No Ceará, o PSL lançou a candidatura do advogado Hélio Góis para disputar com o atual governador Camilo Santana (PT), ligado ao clã dos Ferreira Gomes. Hélio ficou em terceiro lugar com 282 mil votos atrás do general Theophilo (PSDB), que obteve 488 mil votos.
Camilo Santana acabou reeleito no primeiro turno com 79,96% dos votos 3,4 milhões de votos e ajudou a fazer Ciro ganhar no Estado que governou de 1991 a 1994. Ciro teve 40,95% (1,9 milhão de votos). Haddad ficou em segundo lugar com 33,12% (1,6 milhões de votos). Bolsonaro ficou em terceiro lugar com 21,74%, (1,06 milhão de votos).
Para Carlos Jereissati, irmão do ex-governador do Ceará Tasso Jereissati (PSDB) os votos de Ciro no Estado não irão migrar para Haddad mesmo com uma declaração de apoio do pedetista. O irmão disse que “os eleitores do Ciro não são da esquerda. São da direita, no máximo da centro-direita”, afirmou Carlos Jereissati à coluna do Estadão.
No Maranhão, o PSL lançou a ex-prefeita do município de Lagoa de Pedra para fazer frente ao governador Flávio Dino (PCdoB). A ex-prefeita acabou apenas na terceira colocação com 7,87% dos votos (247 mil votos) atrás da ex-governadora Roseana Sarney (MDB), aliado histórica do PT, que teve 30,07% (947 mil). Dino acabou reeleito com 59,29% dos votos (1,8 milhão). Bolsonaro teve 24,88% (817 mil votos). Enquanto Haddad teve 2,06 milhões de votos (61,26%).
Na Paraíba, o candidato ao governo pelo MDB, o senador José Maranhão, declarou voto em Bolsonaro no segundo turno e liberou os filiados para votarem no capitão. O emedebista acabou ficando em terceiro lugar com 17,44% dos votos (335 mil votos). o atual governador Ricardo Coutinho (PSB) conseguiu fazer o ex-secretário da sua gestão João Azevedo (PSB) ganhar no primeiro turno com 58,18% dos votos (1,11 milhões de votos). Bolsonaro teve 31,30% (677 mil). Haddad teve 45,46% (984 mil).
No Rio Grande do Norte, o PRTB partido do candidato a vice-presidente de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, lançou o bispo Heró Bezerra. Bezerra apoiou Bolsonaro e ficou teve apenas 0,27% dos votos (4 mil) e em penúltimo lugar.
A disputa para o governo vai para o segundo turno com a senadora Fátima Bezerra (PT), que 46,17% dos votos (748.150 votos), e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo (PDT), que teve 32,45% (525 mil votos). No Estado, Bolsonaro teve 30,21% dos votos (541 mil votos). Haddad teve 41,19% (738 mil).
De olho no eleitorado do capitão e para fazer frente à adversária, Carlos Eduardo deve caminhar com Bolsonaro, segundo a Folha de S. Paulo. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, já sinalizou que o movimento não será impedido pelo partido. “Não posso impor uma situação que inviabilize meu candidato, disse Lupi como registra a Folha.
No Piauí, onde Haddad teve a maior vitória percentual no País, o governador Wellington Dias (PT) acabou reeleito no primeiro turno com 55,65% dos votos (966 mil). No Estado, o PSL teve candidatura própria ao governo com o empresário e jornalista Fábio Sérvio que só teve 3,65% (63.431 mil votos) em quarto lugar. Haddad teve 63,40% dos votos (1,1 milhão de votos). Bolsonaro teve 18,76% (346 mil votos).
Em Alagoas, o governador Renan Filho (MDB) foi reeleito com 77,30% dos votos (1,0 milhão de votos). O engenheiro Josan Leite (PSL) ficou em segundo lugar com 11,06% dos votos (143 mil). Lá Haddad teve 44,75% dos votos (687 mil). Bolsonaro teve 34,40% (528 mil votos).
Em Sergipe, o governador Belivaldo Chagas (PSD) vai para o segundo turno contra o deputado federal Valadares Filho (PSB). Belivaldo teve 40,84% dos votos (403 mil) e já anunciou que vai apoiar Fernando Haddad. Já Valadares, que obteve 21,49% dos votos (121 mil), deve seguir a postura de neutralidade adotada pelo companheiro de partido e governador de São Paulo Márcio França.
Nome que declarou apoio a Bolsonaro, o ex-deputado federal Mendonça Prado (DEM) terminou em penúltimo lugar com 1,24% dos votos (12.280 votos). Na disputa presidencial, Haddad teve 50,09% dos votos (571 mil votos). Bolsonaro teve 27,21% (310 mil).
























