Um neto de Arraes no governo de Bolsonaro

Se vivo fosse, talvez Miguel Arraes não aprovasse a nomeação do neto, Antônio Campos, para ocupar um cargo em comissão no governo de Bolsonaro: a presidência da Fundação Joaquim Nabuco, cargo ocupado até ontem por Alfredo Bertini. O irmão, Eduardo Campos, certamente também não aprovaria, haja vista o distanciamento político entre o PSB e o presidente da República. Basta dizer que ao longo de sua história Bolsonaro defendeu o fechamento do Congresso, o fuzilamento do ex-presidente FHC, a tortura como meio de se obter confissões e dedicou seu voto no impeachment de Dilma ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o único torturador reconhecido até hoje como tal pela justiça brasileira.

Entretanto, como a política dá muitas voltas e os tempos são outros, “Tonca” se aproximou de Bolsonaro ainda na campanha de 2018. Foi a favor de que o então senador e candidato ao governo estadual, Armando Monteiro Neto, o abraçasse no segundo turno, algo que o petebista recusou-se a fazer para não contrariar muitos aliados, entre eles o prefeito de Serra Talhada, Luciano Duque, que é filiado ao PT. À parte o aspecto político, Antônio Campos tem tudo a ver com a Fundação Joaquim Nabuco. Seu pai, Maximiano Campos, pertenceu aos quadros da instituição e o filho está mais para ele do que para o avô ou o irmão.

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