Ao atacar a um só tempo a guerrilha do Araguaia capitaneada pelo PCdoB e logo em seguida o único governador desse partido, Flávio Dino, considerado por ele “o pior” do Nordeste em termos ideológicos, o presidente Bolsonaro vai recompondo a base política que deu sustentação à ditadura militar de 64. A essas críticas seguiram-se outras, como as que foram feitas à jornalista Miriam Leitão, à “sanguinária” Ação Popular” da qual fazia parte o estudante pernambucano e desaparecido político Eduardo Santa Cruz Oliveira, também afrontado pelo presidente, e até ao general de Exército Luiz Eduardo Rocha Paiva, chamado de “verde” por fora e “vermelho” por dentro (general melancia).

Tudo isso somado, mais o apoio dos evangélicos (em 64 foi a Igreja Católica que mandou seus fieis às ruas em defesa do golpe militar), dos ruralistas, dos conservadores em matéria de costumes e dos grupos de direita radical que só vieram a mostrar sua cara no processo de impeachment de Dilma Rousseff, garante uma sólida base de apoio social ao presidente da República, que tem horror a palavras como “comunismo”, “socialismo”, “esquerdismo”, “excluídos”, etc. Bolsonaro talvez não previsse que atacar tantos ao mesmo tempo lhe renderia esse formidável capital político. Mas o fato é que está de posse dele rumo as eleições de 2022, e sem concorrentes neste campo. (Inaldo Sampaio)

























