O quebrado
Opinião
O presidente Bolsonaro parece que vive para se alimentar da polêmica. Três depois de mergulhar no litoral paulista e ser acusado de promover aglomeração no mar, ontem, em seu primeiro dia de trabalho do ano novo, afirmou que o Brasil está ”quebrado”. Enfatizou que que não “consegue fazer absolutamente nada” e citou como exemplo as mudanças na tabela do Imposto de Renda.
“O Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do Imposto de Renda, tá, teve esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos, essa mídia sem caráter “, afirmou, dirigindo-se a um apoiador na saída do Palácio da Alvorada. A ampliação da isenção do IR é uma das promessas de campanha de Bolsonaro que nunca saíram do papel.
Em 2019, ele chegou a retomar o assunto algumas vezes ao afirmar que a ampliação estava sendo estudada pelo Governo. Atualmente, quem ganha até R$ 1,9 mil por mês está isento de declarar o IR. Bolsonaro já chegou a dizer que gostaria de aumentar a isenção da tabela do IR para quem ganha até cinco salários-mínimos até o final de seu mandato (hoje, R$ 5,5 mil).
A ideia, contudo, já enfrentava resistência da equipe econômica ainda em 2019, quando as contas do Governo não estavam afetadas pela crise do novo coronavírus. Na conversa com apoiadores, Bolsonaro também voltou a intensificar as críticas à mídia, que segundo ele, realiza um “trabalho incessante de tentar desgastar” o Governo. “Vão ter que me aguentar até o final de 2022, pode ter certeza aí”, afirmou.
Um presidente da República não deveria nunca sair alardeando por aí que o País que ele mesmo governa está quebrado. Muito menos para servir de justificativa para o fato de não ter cumprido uma promessa de campanha. O que vão achar os investidores que compram papéis de um Governo do qual o seu próprio presidente diz que está quebrado?
É natural que comecem a cobrar cada vez mais para comprar os títulos da dívida brasileira. Ou seja, pode custar mais dinheiro para os contribuintes que o presidente promete ajudar com a correção da tabela do IRPF.
Por: Magno Martins

























