João só fez piorar o trânsito

Opinião:

]A manchete do JC de ontem, apontando Recife como a capital mais congestionada do Brasil, superando São Paulo, proporcionalmente, não pode ser tratada como nenhuma novidade. Em 2024, a cidade já apareceu no topo de um ranking nacional acerca de congestionamentos entre as capitais brasileiras, com um índice de 60% das vias públicas engarrafadas durante os horários de pico.

Na época, a porcentagem foi muito superior à registrada em São Paulo (46%), cidade famosa pelos engarrafamentos; Salvador (BA), com um índice de 59%, seguida pelo Rio de Janeiro (RJ), com 55%, Fortaleza (CE), com 48%, e São Paulo (SP), com 46%, aparecem atrás do Recife, segundo pesquisa realizada pela empresa de tráfego Tom Tom. O que causa preocupação e temor para quem vive na capital pernambucana é a política de piorar ainda mais esse quadro posta em prática pela gestão municipal.

O pai da “obra” é o prefeito infante João Campos. Em um ano e três meses no poder não fez nenhuma obra para desafogar o trânsito. Enquanto Fortaleza e Salvador criam alternativas naturais que passam pela construção de viadutos e túneis, Recife restringe ainda mais o espaço para automóveis com a falsa ideia de que criar ciclovias para humanizar o trânsito.

Depois de inviabilizar vias que antes serviam de escape, como a Rua do Futuro, para quem fugia do inferno da Rui Barbosa, imolando uma faixa para uso de ciclistas, o infante anunciou que vai fazer uma ciclovia na Avenida Agamenon Magalhães, a mais engarrafada da cidade, o coração do infernal trânsito. A ideia “maravilhosa” deve ser do mesmo idealizador da distribuição de um caldinho de graça para quem se vacinar contra a covid.

Pelo que foi posto, a faixa de ciclistas da Agamenon será criada ocupando os canteiros laterais beirando o canal mais sujo e fedorento do País. Já imaginou um ciclista indo para o trabalho e ser jogado por um carro desgovernado no canal, que é, verdadeiramente, um esgoto a céu aberto? Não se trata de provocação ou piada, o ciclista correrá esse risco de fato, porque a Agamenon é uma selva de quatro rodas.

 

É mais grave do que se possa imaginar a mobilidade urbana do Recife. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o tempo médio gasto por um trabalhador na RMR é de 38 minutos, e a cidade possui, atualmente, mais de dois milhões de carros. Para tentar driblar o problema, o infante poderia dar um pulinho em Fortaleza e Salvador, para copiar o modelo de projetos estruturadores. Não se trata de inventar a pólvora, a solução passa por viadutos e túneis.

Por Magno Martins

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