Opinião
No mesmo dia em que o Ceará presenciou uma chacina em uma praça pública na cidade de Viçosa, o presidente Lula anunciou, ontem, que está aguardando apenas manifestações de governadores e ex-governadores aliados, como Camilo Santana, do Ceará, e Rui Costa, da Bahia, para ir ao enfrentamento contra a desenfreada e crescente violência no País.
Em entrevista exclusiva ao jornal Diário do Nordeste, o presidente da República falou sobre as diretrizes do Governo Federal para lidar com os problemas de Segurança Pública no País e informou que uma reunião com governadores deve ocorrer em breve para abordar o assunto. Segundo ele, o plano está sendo elaborado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski. Em seguida, será debatida numa reunião em Brasília com os 27 gestores estaduais.
O petista tocou no assunto 48 horas após sair o mapa da sanguinolência no País, através do Atlas da Violência. As estatísticas oficiais mostram que o Brasil registrou 46.409 homicídios em 2022, uma taxa de 21,7 por 100 mil habitantes. O Atlas revela que esse número é subestimado, devido à grande quantidade de mortes violentas por causa indeterminada ocorridas no País. Os autores do estudo estimam 52.391 homicídios em 2022, somando a quantidade de casos oficialmente registrados com os que ficaram ocultos.
Entre 2012 e 2022, 131.562 pessoas morreram de forma violenta sem que o Estado conseguisse identificar a causa básica do óbito, se decorrente de acidentes, suicídios ou homicídios – as chamadas mortes violentas por causa indeterminada (MVCI). Esse fenômeno aumentou consideravelmente em 2018 e 2019. Usando um método de aprendizado de máquina, os autores do Atlas da Violência 2024 estimaram 51.726 homicídios ocultos no total de MVCI de 2012 a 2022.
Com isso, as estatísticas oficiais saltariam de 609.697 para 661.423 no mesmo período. “Para que possamos entender melhor a magnitude do problema, o número total de homicídios ocultos nesses 10 anos foi maior do que todos os homicídios que ocorreram no último ano analisado”, explica Daniel Cerqueira, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e coordenador do Atlas. Apenas entre 2019 e 2022, foram 24.102 homicídios ocultos no Brasil, o que equivale à queda de 160 boeings lotados, sem sobreviventes.
AUMENTO MAIOR NO NE – A análise das estatísticas oficiais mostra que, entre 2019 e 2022, a variação da taxa de homicídios no País foi nula, tendo aumentado na região Nordeste (6,1%) e no Sul (1,2%) e diminuído nas demais regiões, com destaque para o Centro-Oeste, que teve uma redução de 14,1% dos homicídios no período. Entre 2012 e 2022, a maior redução da mortalidade violenta veio do Distrito Federal (-67,4%), seguido por São Paulo (-55,3%) e Goiás (-47,7%). Os maiores aumentos ocorreram no Piauí (47,9%), Amapá (15,4%) e Roraima (14,5%). Em 2022, a Bahia teve a maior taxa de homicídios por 100 mil habitantes (45,1), seguida de Amazonas (42,5) e Amapá (40,5). As três menores taxas no ano vieram de São Paulo (6,8), Santa Catarina (9,1) e Distrito Federal (40,5).

























