Por Magno Martins
De novas, as viaturas policiais que desfilaram ontem por avenidas do Recife só têm mesmo a fabricação. Na prática, não acrescentam nada à frota da segurança pública estadual, que está apenas passando por uma troca de carros de uma categoria mais elevada — as SUVs Renault Duster locadas em 2023 — pelas minivans Chevrolet Spin de 2026.
Ainda assim, a três meses das eleições, o Governo Raquel Lyra segue promovendo medidas de impacto visual para enganar desavisados, em uma demonstração de que ações de fachada são mesmo uma especialidade desta gestão.
O problema, porém, vai além dos artifícios pirotécnicos e envolve um aumento injustificado de gastos com a mesma quantidade de viaturas. O contrato de 2023, dos veículos Duster, tinha um custo mensal de R$ 3.747,49 por carro. Já o de 2026, das Spin, chega a R$ 6.239,64, o que representa 66,5% de sobrepreço.
Não à toa, o valor global da contratação saltou de R$ 99,8 milhões, no primeiro ano do atual governo, para R$ 209,2 milhões em 2026, um incremento de 109,5%. Quem vai ter que apurar por que o governo de Raquel está pagando mais que o dobro por carros menores e em quantidade igual à das viaturas que já existiam antes são os órgãos de controle, que costumam precisar de mais tempo para se debruçar sobre as burocracias dos contratos.
Já o eleitorado, que terá que tomar uma decisão sobre os rumos de Pernambuco em pouco mais de 90 dias, precisará refletir se os desfiles de viaturas são suficientes para botar bandidos na cadeia. As estatísticas dizem algo diferente. Nelas, Pernambuco aparece como o terceiro estado mais violento do país.
Pelo visto, até aqui, a pirotecnia não vem servindo ao povo. Esses números negativos jogam por terra o marketing de qualquer governo. São tão tóxicos quanto os tetos que caem sobre as cabeças de pacientes nos hospitais públicos ao mesmo tempo em que as fachadas são cuidadosamente pintadas a tempo do período eleitoral.

























