Além de discurso sobre “milícias digitais”, vazamento de ofício do diretor-substituto da PF em resposta a seis deputados estaduais do PSB distorce dados
Do Blog Manoel Medeiros
As repetidas declarações do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) sobre possíveis investigações da Polícia Federal em Pernambuco contra adversários, sobretudo a respeito do que o próprio declara ser uma “rede de gabinete de ódio” contra ele, acenderam um alerta na política pernambucana sobre a fonte de possíveis informações privilegiadas e existência de pressão política em Brasília – via figurões do PSB – para que se criem crie fatos novos na eleição estadual de Pernambuco a partir da credibilidade de uma das instituições mais sérias do País.

Nas últimas horas, o vazamento de um ofício protocolar em resposta a seis deputados estaduais do PSB, datado de 13 de maio, assinado pela direção da Polícia Federal em Brasília, levanta mais questões sobre a pressão para que se criem artificialmente fatos novos que seriam interessantes ao partido. O Vero Notícias, site que recebe publicidade oficial da Prefeitura do Recife, imputa à PF o envio ao STJ de pedido de investigação solicitada pela oposição contra a vice-governadora, Priscila Krause (PSD).
O que se sabe é que, como ocorre com frequência, os parlamentares de oposição apresentaram denúncia à PF e perguntaram via pedido de informações como estava o seu andamento. Por sua vez, a Polícia respondeu explicando que eventual investigação contra autoridade detentora de foro por prerrogativa de função depende de autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
É a quarta vez desde 2023 que os mesmos parlamentares tentam imputar à vice-governadora conduta irregular pela contratação de um hospital que presta serviços ao governo de Pernambuco initerruptamente há 55 anos para prestação de atendimentos de saúde de alta complexidade oferecidos exclusivamente pela unidade na região do Agreste Meridional, como hemodiálise.

Esses mesmos deputados solicitaram e tiveram negada pelo TCE medida cautelar para suspender a prestação dos serviços da unidade hospitalar em 2024. No caso, a avaliação dos técnicos é que não houve irregularidade ou nepotismo nas contratações que ocorrem há vários governos. A relação entre a gestão estadual e a unidade hospitalar, inclusive, alcançou o maior faturamento justamente na gestão anterior, comandada pelo PSB. Uma auditoria especial do mesmo TCE já foi concluída e não apontou imputação de débitos.
O próprio João Campos tem reforçado a narrativa de “investigações da PF em curso” afirmando que existiria pelo menos um inquérito em andamento determinado pelo Supremo Tribunal Federal sobre o assunto “milícias digitais”, fato sobre o qual não se tem conhecimento público por meio de declarações ou documentos oficiais.
Se sabe que o ministro Gilmar Mendes pediu à PF, em decisão monocrática de 30 de janeiro deste ano, que investigue a regularidade de atuação da Polícia Civil de Pernambuco em procedimento investigativo contra um secretário e amigo de João Campos que poderia estar praticando corrupção na Prefeitura do Recife. Sobre redes digitais, no entanto, não se tem confirmação de absolutamente nenhuma instauração de inquérito. Apenas as falas de João Campos.

























