Por Magno Martins
A resposta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, à carta enviada pelo senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) produziu um efeito político inverso ao esperado pelo parlamentar. Embora Rubio tenha agradecido o contato e sinalizado disposição para manter diálogo com um eventual futuro governo brasileiro, ele não cedeu um centímetro na principal reivindicação de Flávio: retirar ou suavizar a proposta de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
Ao contrário, reafirmou que a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos encontrou “diferenças substanciais” na relação bilateral e que manteve o apoio às medidas protecionistas. O episódio evidencia um problema recorrente na política externa brasileira recente, quando interesses partidários passam a se misturar com a diplomacia entre Estados.
A aproximação entre Flávio Bolsonaro e Marco Rubio pode ser politicamente conveniente para o senador em sua estratégia eleitoral, mas pouco acrescenta aos interesses nacionais. A carta americana demonstra que Washington distingue a boa relação com um aliado ideológico da defesa de seus próprios interesses econômicos.
Questões como tarifas, comércio exterior e investimentos costumam ser conduzidas por governos e diplomatas, não por lideranças partidárias que disputam eleições. Quando um senador brasileiro assume protagonismo em negociações paralelas com autoridades estrangeiras, a mensagem transmitida é a de um país dividido, em que atores políticos buscam interlocução externa à margem dos canais oficiais.
Outro aspecto preocupante é que Rubio aproveitou a resposta para reforçar críticas já conhecidas dos Estados Unidos ao Brasil, incluindo questionamentos ao Pix, ao ambiente regulatório e ao combate às organizações criminosas. Ou seja, a carta serviu mais para reiterar as cobranças americanas do que para produzir qualquer concessão concreta.
Quando a relação bilateral passa a ser contaminada por alinhamentos eleitorais e afinidades pessoais, o risco é transformar uma parceria estratégica em instrumento de disputa política. A resposta de Marco Rubio deixou claro que amizades políticas podem render fotografias e cartas diplomáticas, mas dificilmente alteram decisões tomadas em defesa dos interesses econômicos dos próprios Estados Unidos.

























