Aliado de Flávio rebate Michelle: “Bolsonaro avalizou apoio a Ciro”

Pré-candidato ao Senado diz que ex-primeira-dama demonstra “ignorância” sobre realidade política do Ceará e chama vídeo de “infeliz”.

Congresso em Foco

crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em torno da estratégia do PL para as eleições de 2026 no Ceará ganhou um novo capítulo neste sábado (27). O deputado estadual Pastor Alcides Fernandes (PL), pré-candidato ao Senado e aliado de Flávio, reagiu às críticas da ex-primeira-dama e afirmou que Jair Bolsonaro deu aval à aliança do partido com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ainda no primeiro turno da disputa pelo governo estadual.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Alcides classificou como “infeliz” a manifestação de Michelle, que criticou a composição com Ciro e se posicionou contra sua candidatura ao Senado. “O vídeo só serviu para ser usado pelo PT para ecoar os seus discursos e interesses. E a gente sabe que, se o PT está feliz, coisa boa que não é”, afirmou.

Segundo o deputado, Michelle faz “alegações infundadas” e demonstra “completa ignorância a respeito do que é o Ceará”. Para ele, a realidade política do estado exige uma estratégia diferente daquela defendida pela ex-primeira-dama.

 

 

“Infelizmente, a direita sozinha não tem força para derrotar o PT no Ceará. Nós estamos em condição de brincar de roleta-russa com a vida do cearense? Esperando essa ou aquela circunstância?”, questionou. Pastor Alcides, como é mais conhecido, é pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE), presidente estadual do partido e segundo colocado na eleição para a prefeitura de Fortaleza em 2024.

“Bolsonaro deu o aval”

Um dos principais pontos da resposta de Alcides foi rebater a narrativa de que o apoio a Ciro Gomes teria sido articulado sem o conhecimento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Basta lembrar da reunião que aconteceu no dia 29 de maio de 2025, em Fortaleza, com toda a bancada do PL do Ceará. Cada parlamentar deu a sua visão. No fim, o presidente Bolsonaro deu o aval para apoiarmos o Ciro Gomes, saindo no primeiro turno”, declarou.

O deputado afirmou ainda que a negociação ocorreu de forma transparente.

“A aliança não foi ideia minha, nem foi feita às escondidas, como o vídeo da Michelle sugere. Tudo foi construído à luz do dia, de forma coletiva, junto com nossa base. Dizer que isso foi feito pelas costas do presidente Bolsonaro, num momento em que ele não pode opinar, é faltar com a verdade.”

Alcides ponderou que Michelle pode simplesmente não ter sido informada sobre as conversas.

“Não que eu acredite que a Michelle esteja mentindo propositalmente. Pode ser que ela realmente não tenha ficado sabendo disso. Ou que o presidente, por algum motivo, não tenha repassado o que ocorreu. Mas essa é a realidade dos fatos.”

Disputa pelo Senado

O deputado também atribuiu as críticas da ex-primeira-dama à disputa pela vaga do PL ao Senado. Segundo ele, há uma tentativa de inviabilizar sua candidatura para abrir espaço à vereadora Priscila Costa (PL), vice-presidente nacional do PL Mulher e aliada de Michelle.

“É impedir que eu seja o candidato ao Senado. Para isso, vale até usar um discurso raso, dizendo que uma mulher está tendo que ceder espaço para um homem. Olha o nível em que o debate chegou. Essa construção partidária começou muito antes de outras candidaturas serem sequer cogitadas. E, com todo respeito, em um Estado dominado pelo crime, a discussão não pode ser sobre gênero.”

Alcides ainda afirmou que Michelle participou de uma reunião com dirigentes nacionais do partido na qual teria aceitado a aliança com Ciro Gomes, desde que Priscila Costa fosse indicada ao Senado. “Você disse que toparia fazer a aliança com Ciro desde que fosse colocada sua indicada ao Senado na chapa”, afirmou.

O que disse Michelle

Na quarta-feira (24), Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo criticando a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Ela afirmou que Jair Bolsonaro havia defendido uma chapa “pura” para o Senado, formada por Alcides Fernandes e Priscila Costa, e acusou dirigentes do partido de tentarem retirar a vereadora da disputa para viabilizar o acordo com Ciro Gomes.

A ex-primeira-dama também defendeu que uma eventual aliança com Ciro só ocorra em um possível segundo turno, preservando, no primeiro, uma candidatura alinhada aos valores da direita.

 

 

Além das críticas públicas, Michelle revelou que foi maltratada, desrespeitada e humilhada durante um telefonema com Flávio Bolsonaro sobre a composição no Ceará. Segundo ela, o senador defendeu a aliança com Ciro Gomes e a conversa terminou de forma conflituosa, aprofundando o desgaste entre os dois e tornando pública uma divergência que até então permanecia restrita aos bastidores do partido.

Após a repercussão do episódio, Flávio foi às redes se desculpar com Michelle, disse estar com o “coração aberto”, agradeceu o apoio dado pela madrasta ao pai e a convidou a participar de um encontro do PL. No vídeo, porém, Michelle deu pistas de que as divergências ainda podem ganhar novo capítulo. “Contei quase tudo”, afirmou.

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