Por Magno Martins
A relação entre o presidente Lula (PT) e o pré-candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSB, João Campos, ganhou um novo capítulo, colocando em xeque a narrativa apresentada pelo deputado federal Túlio Gadelha (PSD). De acordo com o parlamentar, que é pré-candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), Lula “não estava feliz” ao gravar um vídeo de apoio à pré-candidatura de João ao Governo, no último mês. Túlio sugeriu que o gesto teria ocorrido por circunstâncias políticas, e não por convicção, citando, inclusive, que Lula estaria constrangido com o ato.
Porém, ontem, um fato público caminhou em direção oposta. Durante agenda em Brasília, Lula telefonou espontaneamente para João, que participava de um evento em Garanhuns. Na ligação, pediu que ele transmitisse um recado ao público presente. “O presidente ligou e pediu para tirar uma foto com o quadro de dona Lindu. A gente colocou o quadro aqui na frente. Ele estava tirando a foto e, por isso, pediu para interromper a transmissão”, relatou João em vídeo postado no Instagram. O gesto ocorreu de forma natural e foi interpretado como mais um sinal da boa interlocução entre os dois.
A sequência dos acontecimentos evidencia uma contradição entre o discurso de Túlio e a postura pública adotada por Lula. A avaliação do deputado de que o presidente gravou o vídeo de apoio a João sem entusiasmo perde força diante da atitude de Lula. Ao telefonar espontaneamente para João, durante uma agenda oficial, e fazer um pedido de caráter pessoal, Lula transmitiu uma imagem de proximidade que contrasta com a narrativa de desconforto apresentada pelo parlamentar.
Na política, gestos costumam falar mais alto do que versões de bastidor. Lula produziu um fato político que torna difícil sustentar a leitura de que teria apoiado João contrariado ou constrangido, deixando a avaliação de Túlio, no mínimo, desconectada da realidade.


























