Toda obra pública nasce de uma promessa. Promessa de desenvolvimento, empregos, melhoria da qualidade de vida. Antes de existir em concreto ou aço, ela existe como compromisso assumido diante da população.
Em Pernambuco, no governo de Raquel Lyra, há uma extensa coleção de projetos anunciados com entusiasmo, lançados com cerimônias, apresentados em vídeos institucionais e acompanhados de discursos otimistas.
O problema corrosivo começa quando a promessa não cumprida é substituída por outra promessa, igualmente grandiosa, antes que a anterior tenha saído do papel. Sem entregar as 250 creches que prometeu, as UPAs que não saíram do chão e zero de escolas técnicas novas, a governadora Raquel Lyra vai dobrar a aposta.
Em um evento com a pompa de um ato de governo, mas com o cheiro de um movimento eleitoral, Raquel convocou prefeitos para testemunhar ontem a assinatura de autorização para mais de 200 obras e ações, em 100 municípios. Quando governador, Eduardo Campos entregou o Parque da Macaxeira e o novo Hospital do Câncer em seu último ano. Já João Campos entregou o Parque do Aeroclube e o Hospital da Criança do Recife.
Cerimônias como essa, programada por Raquel Lyra, servem para instalar um tipo de erosão silenciosa da confiança pública. O cidadão deixa de medir governos pelas entregas e passa a ser continuamente convidado a acreditar no próximo anúncio. O horizonte de realização é sempre adiado. O futuro torna-se um lugar permanente, mas nunca alcançado.
Quando sucessivas promessas deixam de se transformar em realidade, a população começa a perder algo que nenhuma obra consegue recuperar sozinha: a confiança de que o amanhã pode ser diferente do agora.
Esse ciclo produz um desgaste que vai além da infraestrutura. Mina a credibilidade das instituições, enfraquece o vínculo de respeito entre Estado e sociedade e alimenta a sensação de que promessas deixaram de ser compromissos para se tornarem uma estratégia permanente de administração das expectativas.
O resultado é conhecido. Enquanto o discurso permanece no futuro, a realidade continua presa ao presente. Obras e ações não são monumentos ao anúncio. São instrumentos de transformação econômica e social. Quando ficam apenas no papel, deixam de cumprir sua função principal: aproximar o futuro da vida das pessoas.
O risco maior é o enfraquecimento da esperança coletiva. O cidadão deixa de acreditar que participar, cobrar ou planejar faz diferença. O sonho de mudança perde força diante da repetição das frustrações.
Nenhuma democracia se fortalece quando seus cidadãos passam a acreditar que promessas existem apenas para serem anunciadas. Nenhum governo será lembrado apenas pelo número de projetos que apresentou, mas não realizou. Mas parece que a governadora não se deu conta ou faz disso um estilo de gestão.
E talvez seja essa a maior responsabilidade de qualquer gestor público: preservar, por meio das entregas, aquilo que sustenta uma sociedade — a convicção de que vale a pena acreditar, participar e sonhar com um futuro melhor.


























