Por Magno Martins
Surpresa da convenção que homologou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto, o presidente da Argentina, Javier Milei, acabou roubando a cena e, ao mesmo tempo, gerando uma nova crise diplomática com o Brasil, após chamar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ladrão” e o ministro Alexandre de Moraes de “lixo”.
Nunca se viu algo tão deplorável na história das relações diplomáticas entre nações vizinhas, fundadoras e integrantes do Mercosul, bloco econômico sul-americano criado em 1991 pelo Tratado de Assunção, com a intenção de integrar as economias dos países membros por meio da redução de impostos alfandegários e da livre circulação de produtos e serviços.
De imediato, o Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para ouvir o protesto oficial do governo do Brasil. Chamar um embaixador brasileiro que está em missão no exterior para consultas, como fez o Brasil, é uma medida considerada dura nas relações internacionais.
É uma sinalização de que o país quer ouvir esclarecimentos de seu diplomata a respeito de uma atitude considerada hostil feita pela outra nação. O chefe de gabinete de Milei, Diego Santilli, tentou justificar a derrapada diplomática do chefe.
“Vieram aqui, fizeram campanha, fizeram de tudo, o gabinete de Lula disse barbaridades sobre o presidente e sobre a Justiça argentina e foram onde quiseram. Então que não venham exagerar”, disse Santilli.
Na verdade, um erro não justifica outro. Milei exagerou no tom da sua fala. Agrediu a honra do presidente Lula em território brasileiro, atitude canalha para um chefe de Nação.


























