Amazonas já registra 52 casos de leptospirose neste ano

O Amazonas registra 52 casos de leptospirose notificados neste ano, segundo levantamento da Fundação de Vigilância em Saúde do estado (FVS-AM), informado ao G1 nesta quinta-feira (10). Manaus é a cidade com a maior incidência da endemia, com 32 diagnósticos, seguida de Humaitá, com 14. Por conta da cheia dos rios no estado, comunidades isoladas enfrentam risco de contágio de doenças devido aos alagamentos e o contado com água contaminada.

Até o momento não foi registrado nenhum óbito no estado, segundo a FVS. No entanto, um homem de 70 anos teve os primeiros sintomas e foi diagnosticado em Boca do Acre , a 1.065 km de distância de Manaus. Ele chegou a ser atendido no ambulatório do município antes de ser levado para Rio Branco (AC), onde morreu no dia 3 de abril.

Em um comparativo com o mesmo período em 2013, houve aumento de 62,5% de casos – já que, no ano passado, foram notificados 32 casos entre os meses de janeiro e abril. Durante todo o ano de 2013, a FVS registrou 147 pessoas com leptospirose no Amazonas e oito óbitos – seis deles, em Manaus. Os casos estão registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

enchente

Segundo o diretor-presidente da Fundação, Bernardino Albuquerque, essa endemia é mais comum nos primeiros meses do ano, durante a cheia do Rio Madeira. “A leptospirose é uma doença esperada para acontecer nessa época. A maior concentração é em Manaus, devido à concentração de periferias na cidade”, frisou.

A FVS descartou um possível surto de cólera no estado. De acordo com Bernardino Albuquerque, foi constatado que os sintomas identificados nos habitantes de comunidades ribeirinhas afetadas pela cheia dos rios resultam de uma possível diarreia bacteriana, causada pelo consumo de água contaminada.

Segundo o diretor, a análise do material colhido em Humaitá – um dos mais afetados pelas inundações – apontou resultado negativo para a presença de cólera no município. “Não há nenhuma confirmação da presença do vibrião colérico na região (Calha do Rio Madeira)”, explica. Albuquerque informou ainda que amostras do material colhido em Rondônia, onde são investigados suspeitas da doença, foram levadas para análise laboratorial na Universidade de São Paulo (USP), na capital paulista.

Bernardino afirmou que desde 1998 o Amazonas não registra nenhum isolamento motivado pela presença de cólera. A doença é perigosa, segundo ele, pois leva a estados de desidratação grave e é transmitida facilmente. (G1)

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