Familiares e amigos de taxista se despedem e cobram justiça durante enterro
José Severino da Silva morreu após um veículo bater no seu táxi nas proximidades do Hospital Agamenon Magalhães. Ele foi sepultado no Cemitério de Santo Amaro

Grupo se reuniu no Cemitério de Santo Amaro e compartilhava, além da saudade, um sentimento de revolta em relação aos rumos tomados pela investigação que apura o caso
Uma verdadeira multidão acompanhou neste domingo (19) o enterro do taxista José Severino da Silva, 46 anos, que morreu na madrugada de sábado (18) após um veículo bater no seu táxi nas proximidades do Hospital Agamenon Magalhães, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. O grupo se reuniu no Cemitério de Santo Amaro e compartilhava, além da saudade, um sentimento de revolta em relação aos rumos tomados pela investigação que apura o caso.
Eles contestam a versão oficial do acidente, que aponta o motorista Domício José do Carmo, 33, como o condutor do Corolla que colidiu com o táxi. Domício foi autuado em flagrante por homicídio culposo (sem intenção de matar) e encaminhado para o Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), no entanto, familiares, amigos e companheiros de profissão de José Severino acreditam que quem dirigia o carro no momento da batida era o estudante de medicina Lucas Pontual de Moraes, 18. Após o ocorrido, o motorista fez o teste de alcoolemia (nível de álcool no sangue), que deu negativo. O estudante também fez o teste e este acusou 0.79 miligramas por litro.
“Ficamos sabendo que o Corolla estava fugindo de uma blitz e trafegava em alta velocidade. Se quem estava dirigindo era o motorista, por que fugiram dos policiais?”, questionou a autônoma Verônica Ferraz do Nascimento, ex-esposa do taxista.
José Severino morreu por volta das 2h30, quando chegava ao Hospital Agamenon Magalhães para visitar a mãe, que se recupera de problemas de saúde na unidade. “Era ele quem cuidava de mim e da mãe, fazia tudo por nós. Com ele eu tinha tudo e sem ele eu não tenho mais nada”, comentou o pai do taxista, Severino Francisco da Silva. José Francisco ainda deixou esposa e sete filhos.
Gabriela Cardoso, 25, filha mais velha de José Severino, disse temer que o responsável pela morte do pai não seja punido pelo que fez. “Quem matou meu pai fica impune, mas, e a gente, como é que fica? Não desejo o mal de ninguém, só espero justiça. Eu quero justiça”, pontuou.
Durante depoimento, Domício José negou que estivesse guiando o carro, entretanto, logo após o acidente ele teria dito a policiais militares que estava dirigindo o veículo. De acordo com o delegado Humberto Ramos, foram as contradições apresentadas pelo motorista que o levaram a liberar o estudante e autuar Domício. O delegado ainda afirmou que não havia provas de que Lucas estivesse ao volante, mas que, mesmo assim, ele será investigado. O prazo para conclusão do inquérito é de até dez dias.

























