Estudante de medicina é preso por suspeita de desvio de benefício

Mike é amigo de Thiago Santos Lima, 25, gestor do fundo municipal da assistência social e apontado como responsável pelo desvio de R$ 100 mil

O estudante de medicina Mike Alex Cardoso, suspeito de envolvimento no desvio de verbas da Prefeitura de Salvador para desabrigados da chuva, foi preso temporariamente nesta segunda-feira (28).

De acordo com a Polícia Civil, o mandado de prisão temporária e dois de busca e apreensão foram cumpridos na casa do estudante, localizada no bairro dos Barris, e em outro imóvel utilizado por Mike no bairro do Stiep. Computadores, celulares e pendrives foram apreendidos e serão analisados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT).

De acordo com a delegada Ana Karina Sampaio Guerra, titular Delegacia de Crimes Econômicos e Contra a Administração Pública (Dececap), Mike é amigo de Thiago Santos Lima, 25, gestor do fundo municipal da assistência social e apontado como responsável pelo desvio de verbas do auxílio a desabrigados da Secretaria de Promoção Social, Esporte e Combate à Pobreza, da Prefeitura de Salvador. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em R$ 100 mil.

A delegada explicou que o papel desempenhado por Mike Alex no esquema, bem como dos demais suspeitos de participação no crime, ainda está sendo apurada. O estudante foi encaminhado à Coordenação de Polícia Interestadual (Polinter), onde permanecerá custodiado, à disposição da Justiça. A prisão temporária é de cinco dias.
Esquema

Thiago Santos utilizava cargo para desviar verba; Prefeitura
identificou desvio e denunciou Thiago Lima à polícia
(Foto: Reprodução)

A fraude foi detectada pela própria prefeitura, que fez a denúncia junto à delegacia. O repasse era feito para estudantes universitários. “Ele chegou a repassar R$4.200 de uma só vez sem nenhuma comunicação aos seus gestores. Isso foi o que chamou atenção”, conta Ana Carina.

Thiago Santos Lima foi preso na última sexta-feira (25) e  era o único responsável pelo repasse do auxílio aos desabrigados. Só ele tinha a senha da conta bancária da prefeitura e Token necessário para fazer os repasses às vítimas das chuvas. Os valores eram sacados diretamente na agência bancária com a identificação do beneficiário.

Além de encaminhar a verba para as vítimas da chuva, ele estava também repassando os recursos a amigos. Oito estudantes de medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e uma fisioterapeuta envolvidos no esquema foram ouvidos pela polícia na semana passada.

Todos devem responder pelo crime de peculato, que consiste no uso de um cargo público para beneficiamento próprio ou de terceiros. “Não só ele responde pelo crime de peculato, como também os amigos, que sabiam que ele se valia do cargo para beneficiá-los”, explica a delegada.

Os verdadeiros beneficiários do programa precisavam comprovar, através de uma série de documentos, que a casa onde residiam havia sofrido com algum desastre relacionado à chuva. Thiago não chegava a criar os documentos necessários para repassar os valores ao amigos. Ele apenas liberava nominalmente o auxílio sem procedimento prévio de comprovação.

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