A vida difícil de Raquel Lyra na Alepe

 

Por Larissa Rodrigues

A vida da governadora Raquel Lyra (PSD), que já não é fácil na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), ficou mais difícil ontem (14), quando três dos quatro projetos enviados por ela à Casa em regime de urgência acabaram ganhando relatores da bancada de oposição na comissão mais importante, a de Constituição, Legislação e Justiça (CCLJ).

Não dá nem para reclamar, porque os deputados foram escolhidos por meio de um sorteio manual, e quem retirou os papéis com os nomes foi a própria líder da bancada governista, a deputada Socorro Pimentel (UB). O presidente do colegiado, Alberto Feitosa (PL), foi o primeiro sorteado e vai relatar uma matéria (nº 3692) que autoriza empréstimos nacionais e internacionais, com ou sem aval da União.

Já os empréstimos bilionários a serem solicitados ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica, previstos no projeto nº 3693, ficaram com o deputado Sileno Guedes (PSB). Os valores totalizam R$ 5,2 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões com o Banco do Brasil e R$ 2,7 bilhões com a Caixa, que serão usados para reestruturar a dívida pública do Estado.

O deputado Sileno Guedes não estava presente à reunião da CCLJ, mas o presidente do grupo havia informado aos parlamentares que todos os titulares teriam seus nomes colocados no sorteio, mesmo estando ausentes. Ao saber que havia sido sorteado para relatar a matéria, Guedes divulgou uma nota na qual afirma que “a análise será feita de forma criteriosa, tendo em vista o compromisso com o desenvolvimento do Estado e com o equilíbrio das contas públicas”.

Mas, líder do PSB na Alepe, partido adversário de Raquel, Sileno não deixou passar a oportunidade de destacar que mais de R$ 11 bilhões em operações de crédito já receberam aval dos parlamentares desde 2023, sem que efetivamente se traduzam em serviços para a população, na opinião dele. “Temos tido muita dificuldade de encontrar essa mudança que o governo mostra na propaganda, e as pessoas nos perguntam isso o tempo todo nas ruas”, declarou Guedes.

“Foram prometidas 250 creches e só foi entregue meia creche. Foi prometida a reforma do Hospital da Restauração até 2026 e só foi entregue metade de um andar. Então, nesses três primeiros anos, a Assembleia fez seu papel legítimo de cobrar a aplicação dos empréstimos já autorizados. E é com esse mesmo critério que vamos analisar o projeto que nos coube, sem abrir mão do que é importante para o desenvolvimento de Pernambuco”, acrescentou o deputado.

O deputado Waldemar Borges (MDB) já havia criticado também os empréstimos solicitados pelo Poder Executivo, porque aponta ineficiência em captar os recursos, mesmo já estando aprovados pela Assembleia. No sorteio da CCLJ, Borges acabou como relator da matéria que autoriza, de forma excepcional, o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) a repassar recursos para o Estado.

Palavra da líder – Ciente da dificuldade do Governo do Estado na CCLJ da Alepe, a líder da bancada de governo, a deputada Socorro Pimentel (UB), disse contar com o bom senso dos opositores. “Agora vamos esperar, porque a gente não tem a maioria da Comissão de Justiça. Nossa expectativa é sempre no sentido de contar com responsabilidade e bom senso de todos os deputados. O diálogo está sempre mantido, porque esses projetos serão muito importantes para que haja o funcionamento dos serviços essenciais”, afirmou Socorro Pimentel.

Presidente atento aos feminicídios – O aumento dos casos de feminicídios em Pernambuco, justamente no primeiro governo liderado por mulheres, também está repercutindo na Alepe. Para o presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (PSDB), o crescimento dos registros em 2025, o maior em oito anos, confirma falhas do Governo do Estado no combate aos crimes relacionados ao gênero. Oitenta e oito mulheres foram mortas no ano passado no Estado, indicando aumento de 15,8% em comparação com os dados de 2024, quando o total de vítimas foi de 76. Os dados são do governo e foram divulgados neste mês. “Este crescimento acontece a partir de um contexto de inoperância e ineficiência que vem sendo denunciado pela Alepe há anos”, disse Porto.

Poucas delegacias – Só em 2025, Álvaro Porto fez quatro pronunciamentos cobrando eficiência, melhores condições de trabalho para policiais e, principalmente, mais comprometimento no combate à violência contra as mulheres. “A estrutura posta em funcionamento pelo governo confirma e colabora para a perpetuação da ineficácia. Embora Pernambuco tenha 184 municípios, o Estado dispõe de apenas 15 Delegacias da Mulher, das quais somente 7 funcionam 24 horas”, destacou o presidente.

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