Por Larissa Rodrigues
O deputado federal Pedro Campos (PSB) fez inúmeras críticas à governadora Raquel Lyra (PSD), ontem (3), em entrevista à Rádio Folha FM 96,7. Entre outras coisas, disse que Raquel deveria estar mais preocupada em fazer as ações chegarem aos municípios do que em ter prefeitos declarando apoio ao governo dela.
A partir de hoje, falta exatamente um ano para as eleições de 2026. A votação será no dia 4 de outubro do ano que vem. As falas de Pedro Campos, vice-presidente estadual do PSB e irmão do prefeito do Recife, João Campos (PSB), apontaram para uma estratégia que começa a ser utilizada pela sigla socialista.
Aliados de João, que deve enfrentar Raquel na disputa pela cadeira de chefe do Poder Executivo, farão as críticas mais pesadas contra a gestora, para o desgaste não “pegar” no prefeito. Essa também foi a postura do vice-prefeito do Recife, Victor Marques (PCdoB), no último dia 24.
Ao anunciar que a prefeitura iria assumir os cuidados com o Túnel da Abolição, até então administrado pelo Governo do Estado, Marques aproveitou para alfinetar a gestão de Raquel. “Se o Estado não teve condições operacionais de cuidar, a prefeitura vai tomar essa iniciativa”, disse em vídeo postado no Instagram em 24 de setembro.
As críticas à gestão de Raquel Lyra geradas pelas atribuições da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) também beneficiam João. Faz parte do trabalho dos deputados estaduais fiscalizar os atos do Governo do Estado.
Nesse caso, as denúncias da bancada de oposição, mesmo não sendo composta integralmente por aliados de João, oferecem a ele a vantagem de ter imperfeições da adversária sendo expostas, gerando conteúdo para a imprensa e redes sociais, sem que o prefeito precise mover uma palha, independentemente de os parlamentares terem ou não essa intenção.
Do outro lado, os deputados governistas ficam em situação de desvantagem porque não é atribuição deles criticarem prefeituras, então não faz sentido subirem à tribuna para indicar erros da gestão de João Campos.
Hoje, João é um pré-candidato ao Governo do Estado que não precisa apontar absolutamente nenhuma falha da gestão de sua adversária, podendo manter a leveza no discurso e na imagem, fazendo suas entregas. É o jogo da política, que em um momento favorece um lado, em seguida favorece outro. No final, daqui a um ano, as urnas mostrarão quais estratégias funcionaram.



























