Atraído para uma cilada: cobrança de R$ 300 levou à morte de ambulante mineiro

Desaparecido desde outubro, Daniel Godim foi sequestrado após cobrar clientes ligadas ao BDM

Por Bruno Wendel

Pai mantém fé após sequestro de ambulante mineiro em Itaparica Crédito: Reprodução

Ao que tudo indica, o mineiro Daniel Araújo Godim, de 25 anos, desaparecido na Ilha de Itaparica desde outubro do ano passado, foi atraído para uma emboscada. Após a prisão da irmã de um traficante no início deste mês, a polícia descobriu que o vendedor ambulante teria sido assassinado por cobrar pouco mais de R$ 300 em roupas íntimas a duas mulheres, sendo uma delas namorada de um integrante do Bonde do Maluco (BDM). O suspeito foi preso dois meses depois do sumiço, junto com o irmão, ambos apontados como os principais responsáveis pelo crime.

“Ela foi quem recebeu o Pix logo após o sequestro e transferiu para a conta do namorado”, contou o delegado Leandro Mascarenhas, titular da Delegacia de Vera Cruz, na manhã desta terça-feira (27). Em entrevista ao CORREIO, o pai de Daniel relatou que a mãe chegou a transferir R$ 3 mil pela suposta soltura do filho, o que nunca aconteceu. Inicialmente, chegou a ser ventilada a versão de que o desaparecimento estaria relacionado a uma ação do Comando Vermelho (CV), sob a alegação de que o vendedor ambulante “fazia entregas” para o BDM.

Daniel trabalhava como mascate, vendendo de porta em porta diversas mercadorias, entre elas roupas íntimas femininas. Segundo a polícia, com base no depoimento da namorada do traficante, o vendedor insistia para que as duas mulheres quitassem a dívida, chegando inclusive a fazer ameaças. “Na delegacia de Itaparica, há boletins de ocorrência contra ele, de clientes que também se sentiram intimidados”, afirmou o delegado.

Diante das cobranças, a morte do mineiro teria sido arquitetada. “As duas que deviam chamaram ele para buscar o dinheiro, mas, na verdade, o atraíram para a morte”, disse Mascarenhas. Ainde de acordo com o depoimento, a vítima foi levada para uma área de mata, onde foi executada a tiros. No dia 8 de outubro, Daniel teria saído de um restaurante, em Barra do Pote, por volta das 6h30, e não foi mais visto com vida.

Prisões

No dia 16 de dezembro do ano passado, três pessoas foram presas acusadas de envolvimento na extorsão mediante sequestro: dois irmãos, de 21 e 22 anos, e uma mulher, de 18 anos. Eles foram localizados nos municípios de Vera Cruz e Itaparica, segundo a Polícia Civil. A Delegacia Especializada Antissequestro (DAS) identificou cinco envolvidos no crime, entre mandantes, beneficiários e executores. Todos tiveram prisões temporárias deferidas pelo Juízo das Garantias de Salvador.

Durante o cumprimento dos mandados judiciais e das buscas domiciliares, foram apreendidos aparelhos celulares submetidos à análise pericial para aprofundar as investigações e identificar a participação de outros envolvidos. Um dos aparelhos foi identificado como pertencente à vítima. Uma arma de fogo calibre 9 mm também foi apreendida com um dos acusados, que foi autuado em flagrante por posse ilegal de arma.

Sequestro

Logo após o desaparecimento de Daniel, uma publicação foi feita em seu perfil no Instagram com a mensagem: “Não sou trabalhador mais não, sou bandido Comando Vermelho agora CV (sic)”. O texto, acompanhado de ícones como a bandeira vermelha e o símbolo de duas pessoas com uma mão, sugeria que o jovem teria integrado a organização criminosa. A família afirmou que a postagem era falsa.

Daniel vinha trabalhando com a venda de lençóis, produtos para casa e utensílios domésticos na Ilha de Itaparica. No dia do desaparecimento, o pai do jovem relatou que moradores afirmaram ter visto o carro do filho, um Fiat Uno, circulando pela ilha durante a noite. No entanto, ninguém soube informar quem dirigia o veículo.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *