Bolsonaro atrapalha a direita, afirma líder do PP na Câmara a grupo de empresários

 

O deputado federal Doutor Luizinho (RJ), líder do PP na Câmara dos Deputados e aliado de Jair Bolsonaro, escancarou em um almoço com empresários na terça (17), em Brasília, o que muitos bolsonaristas apenas sussurram no ouvido.

Ele afirmou que Bolsonaro, que está inelegível, atrapalha a direita ao não dizer claramente quem será o seu candidato a presidente em 2026.

O PP é um dos principais aliados do ex-presidente e integrou seu governo.

“A realidade é essa. O ex-presidente Bolsonaro impede que a centro-direita coloque um quadro. Porque ele, ao não apoiar o governador [de SP] Tarcísio de Freitas, ou ao não se posicionar claramente sobre quem é o candidato dele, está impedindo a organização da centro-direita no país”, declarou no encontro, promovido pelo grupo Esfera Brasil e pela Casa ParlaMento.

Segundo o deputado, o campo político representado pela federação Progressistas e União Brasil tem nomes qualificados não apenas para indicar o candidato a vice-presidente da República em uma chapa bolsonarista, mas também para encabeçar a chapa, algo que também já foi externado pelo presidente do União Brasil, Antônio Rueda.

“Ele [Bolsonaro] vem impedindo uma candidatura que está claramente colocada. No nosso campo, uma candidatura precisa estar validada pelo União-Progressistas, ou por uma candidatura nossa, ou pelo menos com a vice-presidência da República”, afirmou Luizinho.

Entre os nomes de direita que são considerados pré-candidatos estão os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), de Minas, Romeu Zema (Novo-MG) e do Paraná, Ratinho Jr. (PSD-PR).

Bolsonaro sinaliza que pode lançar alguém de sua própria família para disputar, como o filho Eduardo Bolsonaro, que é deputado, ou a mulher, Michelle Bolsonaro.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro, tentou ponderar. Ele disse que ainda não é o momento de se discutir candidaturas, mas sim “o projeto de país”. E virou suas baterias contra Lula.

“Eu acho o governo completamente perdido, sem norte. Não adianta ficar só culpando o ministro [da Fazenda, Fernando] Haddad. A culpa maior é do próprio presidente da República, que não assume as suas atribuições de comandar o Brasil da forma correta”, disse.

Segundo Ciro, há uma expectativa por uma candidatura de centro-direita com reais chances de vitória, mas será necessário atravessar o atual momento de instabilidade para que o governo “não atrapalhe ainda mais o Brasil”.

 

Mônica Bergamo/Folhapress

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