A comunidade Sítio dos Macacos, que integra o território da Unidade de Conservação da Natureza (UCN) Beberibe, não foge das problemáticas comuns a outras comunidades inseridas na Região Metropolitana. Transporte, saúde e educação tiveram suas conquistas alcançadas através de várias histórias de luta e ainda assim não funcionam plenamente de acordo com os anseios da população. No entanto, quem mora no Sítio dos Macacos tem uma peculiaridade: a invisibilidade. O difícil acesso à área contribui para que eles não sejam vistos. Moradores mais antigos costumam dizer que a comunidade se trata, na verdade, de uma “cidade do interior dentro de uma capital” e prezam por essa tranquilidade.
Milhares de carros passam diariamente pela BR-101, mas certamente muitas pessoas desconhecem o Sítio dos Macacos. A entrada que dá acesso à área abaixo do pontilhão da via federal, passa quase que despercebida. A impressão de estar em uma cidade pequena do interior do Estado, não se dá apenas por ainda podermos ouvir o canto dos pássaros e ter como principal vista a extensa Mata Atlântica de Dois Irmãos. Não por acaso, a maioria dos moradores antigos que vieram construir suas vidas na capital, por volta da década de 1940, são de municípios do Sertão ao Agreste. Os mais velhos, que ainda se reunem nas calçadas, se acostumaram com o fato de não serem vistos, acreditam que por mais que os benefícios de uma metropole não cheguem até eles, os problemas também não têm acesso fácil por lá. Apesar disso, a violência em decorrência ao tráfico de drogas tem assustado a população.
Já os mais novos sempre estão em busca de melhorias. Estes, segundo o músico Marcelo Tompson, de 54 anos se tornam até mais invisíveis que os adultos. “As crianças saem muito pouco daqui, por causa da dificuldade de acesso. Arrisco a dizer que tem crianças aqui que nunca foram à praia. Uso a música como um ato político para que a partir dela, as crianças possam ser visto lá foram também”, comenta. Marcelo é especializado na construção e reparo de instrumentos de percussão, o chamado luthier. Ele dá aulas de iniciação musical na Escola União Comunitária, que funciona há mais de 30 anos, justamente porque os moradores não esperaram ser visto pelo poder público, e encontram na Educação uma chance de melhorar suas vidas.
Moradora da comunidade desde que tinha seis meses de vida, Eliane Francisca da Silva, 54 anos, é pedagoga e foi uma das primeiras pessoas a participar da implantação da escola comunitária (eles se mantém através de recursos vindo de um grupo de voluntários da Suíça e estão batalhando pela regularização da unidade). “Nós dávamos aula em uma capelinha feita de taipa. Na época fizemos uma consulta para ver qual era o maior problema da comunidade, e o acesso à educação foi a maior queixa”, recorda. O problema é que mesmo com a Escola União Comunitária, após a conclusão do 4º ano do ensino fundamental, as crianças precisam procurar outra unidade de ensino e para isso andam mais de 2 km a pé – ou para o bairro da Guabiraba, ou para o Vale das Pedreiras em Camaragibe. Há três anos o percurso era ainda pior, pois a Estrada dos Macacos (que margeia a comunidade) era totalmente de barro. Nos dias de chuva, o Transporte Complementar de Passageiros Sítio dos Macacos/Guabiraba, único que alimenta essa localidade até as 22h, tinha que driblar os buracos da estrada.
Grávida do seu terceiro filho, a vice-presidente da Associação das Mulheres, Magali Maria Félix, 31 anos, conta que diante de todas as dificuldades – para ter uma idéia, a unidade de saúde da família e a creche são ganhos recentes – a maioria dos moradores nutrem o sentimento de pertencimento ao seu pedação de chão. “Quem mora aqui não quer sair, se você perguntar a minha filha de 12 anos, se ela desejaria morar em outro lugar, ela responde que não”, declara. Crescer no Sítio do Macacos é criar consciência de que é preciso ter união e força para que avanços cheguem. Pelo menos é como Magali sempre se viu. Quando adolescente, ela gostava de participar das reuniões comunitárias em prol das necessidades da população. A Associação, inclusive, pretende retomar sua agenda com foco nas mulheres que não possuem renda por estarem desempregadas, através de palestras e oficinas de artesanato. “Estou sempre disposta a ajudar e dar apoio a essas mulheres seja com doações ou com atividades que melhorem suas vidas”, afirma Magali.


























