Ciro muda tom e afirma que não acha e nunca disse que Lula era ladrão

Em entrevista aos jornalistas Fabíola Cidral e Tales Faria no UOL News, o presidenciável Ciro Gomes agradeceu o gesto democrático do presidente Lula em denunciar a busca e apreensão da Polícia Federal em sua casa, o que ele chama de “isso que eu sofri”. Ciro repudia a violência que diz que aconteceu contra ele, atribuindo ao desejo de o calarem, e reafirmou que vai continuar dizendo o que pensa:

— Eu não acho que o Lula seja um ladrão, eu nunca disse isso, enfatizou Ciro na entrevista.

Ciro reforçou o posicionamento crítico e de denúncia a casos de corrupção —incluindo o governo Lula. “O que eu disse é que a denúncia de corrupção que eu continuarei fazendo do Moro [Sergio Moro] e do governo do Lula eu continuarei fazendo. Não há força humana que me faça desertar do meu compromisso de ajudar o povo brasileiro a combater a corrupção”.

O tom adotado por Ciro mudou em relação a posicionamentos recentes, afirmam os jornalistas do UOL que o entrevistaram. Como em agosto deste ano, quando o pedetista fez uma série de ataques ao ex-presidente em entrevista ao jornalista Pedro Bial.

No UOL News, o jornalista Tales Faria rebateu o posicionamento de Ciro sobre Lula. “O senhor disse: ‘Vão me insultar, vão me agredir. Mas a intenção é exatamente essa: me abater para que eu seja moderado, para que eu não continue atacando aqueles ladrões e assaltantes da vida pública brasileira, como é o Bolsonaro e como foi o Lula”.

Após Ciro confirmar a autoria da frase, Tales concluiu: “Então o senhor está chamando ele de ladrão”. O pedetista desconversou e elevou o tom de voz: “Tales, quando eu quero chamar alguém de ladrão, eu chamo de ladrão. Eu acabei de dizer o que penso. O resto é provocação que não guarda coerência com o meu momento espiritual. Respeite isso!”.

Em seguida, Ciro reafirmou a intenção de debater com o ex-presidente sobre a sua responsabilidade nas eleições vencidas por Jair Bolsonaro (PL) em 2018. “Eu quero debater com o Lula se ele acha que o Bolsonaro caiu do céu. Se o Bolsonaro não é consequência de um protesto grande do povo brasileiro da corrupção como modelo central de poder do PT”.

O pedetista, então, voltou a agradecer ao ex-presidente por sair em sua defesa. “Eu lamento repetir isso numa hora em que o Lula foi tão generoso e gentil comigo. Porque ele sabe o que é sofrer perseguição. E ele sabe que eu o defendi também quando o Moro fez todas as arbitrariedades que fez contra ele. O Lula está fazendo isso porque é a defesa da civilidade. Se a gente resolver perseguir os adversários, a gente não precisa mais acreditar na democracia.”

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