Dom Paulo Evaristo Arns e Dom Hélder foram os dois mais vigorosos representantes da Igreja Progressista no Brasil
Dom Paulo Evaristo Arns, cardeal-arcebispo emérito de São Paulo, que morreu ontem aos 95 anos de idade, foi ao lado de Dom Hélder Câmara, que exerceu o seu ofício em Olinda e Recife, o mais vigoroso representante no Brasil da chamada “Igreja Progressista”, aquela que não se preocupava apenas com a “salvação de almas”, mas também com a “salvação dos homens”, especialmente dos excluídos e perseguidos pelo regime militar instalado entre nós em 1º de abril de 1964. Dom Paulo enfrentou a ditadura militar em seu Estado com a mesma bravura e dignidade com que D. Hélder a enfrentou em Pernambuco. E em que pesem as incompreensões da época, por parte até de católicos conservadores, ambos garantiram seu lugar na História não apenas pelo compromisso de pregar a palavra do Deus em que acreditavam, do qual jamais abdicaram, mas também de lutar pela liberdade, a democracia e o respeito aos direitos humanos.

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