E o noivo, não fez nada?
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A deputada federal Tabata Amaral vem estudando como reverter uma puxada de tapete que tomou de seu partido, o PSB. Ela tinha expectativa de que o diretório da legenda na cidade de São Paulo passaria para o seu comando a partir deste ano, em uma preparação para possível campanha à Prefeitura em 2024, mas viu um grupo de integrantes da sigla elegerem Chiquinho Pereira, representante do sindicato dos padeiros, para o cargo, há duas semanas, em um processo repleto de questionamentos e suspeitas de irregularidade.
O controle do diretório de sua cidade natal foi uma oferta colocada na mesa de negociações quando Tabata decidiu se filiar ao PSB, em setembro do ano passado, após uma disputa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que durou dezenove meses, contra a sua antiga sigla, o PDT (ela havia votado a favor da reforma da Previdência e, por isso, vinha tendo litígios com a cúpula da legenda). Ao migrar para o PSB, partido de seu namorado, o prefeito de Recife, João Campos, os caciques sinalizaram que ela seria indicada para disputar a Prefeitura em São Paulo.
Segundo alguns integrantes da legenda, porém, Tabata não teria feito esforços de aproximação suficientes com a base socialista paulistana para selar o acordo, o que fez com o que filiados refutassem o seu nome, que passou a ser visto como uma imposição. Por isso, optaram por escolher Chiquinho para o cargo. O repúdio a Tabata também teria se dado no contexto de que filiados do PSB na cidade vêm acompanhando a contragosto as conversas do diretório nacional do partido com o PT para a construção de uma federação partidária (o que tornaria as duas legendas praticamente um único partido) e a deputada seria, na visão desse grupo, mais um passo no sentido de tirar a “identidade” do PSB paulista.
Porém, a equipe da deputada tem uma versão muito diferente para a história. Com 15 mil filiados na cidade de São Paulo, o PSB fez uma eleição que contou com apenas 252 votos, porque realizou a sessão eleitoral sem informar aos militantes (a publicidade se deu em um anúncio publicado apenas na área de editais de um jornal da cidade). No começo do mês, a eleição havia sido suspensa pelo diretório estadual do partido, após uma demissão em massa de dirigentes ligados ao ex-vereador Eliseu Gabriel, que não havia feito acordo com Tabata, mas a seção municipal do partido manteve o processo mesmo assim, amparada por uma liminar judicial. Dessa forma, a eleição não deveria ter acontecido e só terminou com uma derrota para Tabata porque apenas uma fração dos filiados ficou sabendo que o processo eleitoral que estava suspenso iria ocorrer.
“Era para ter sido um processo político, com todos os filiados, a presença do Márcio França e tudo. Mas fizeram dessa forma para tentar levar o diretório”, disse a VEJA um membro do PSB. Agora, o resultado do processo pode ser alvo de novos questionamentos.
Eliseu Gabriel afirma que o processo foi correto e diz que Tabata ainda poderá chefiar a seção paulistana do partido. “Nada está decidido. Ela ainda poderá assumir o diretório”, afirma, considerando que ainda há dois anos até as eleições, minimizando a crise.
Para auxiliares de Tabata, a crise teve início após o ex-vereador e a deputada não chegarem a um acordo. Ele queria ter o direito de indicar metade dos membros do diretório.
























