Empresa de internet nega que tenha recebido pedido de ‘pedágio’ de facção para atuar em Salvador

Vítimas teriam sido sequestradas por estarem trabalhando sem pagamento de propina

Por Maysa Polcri

Técnicos de internet executados pelo Comando Vermelho (CV) Crédito: Reprodução

Após a execução de três técnicos de internet no Alto do Cabrito, em Salvador, na madrugada desta quarta-feira (17), a empresa Planet Internet afirmou, em nota, que não foi acionada para pagar o resgate dos funcionários. Os três foram encontrados mortos, amarrados e com sinais de tortura. Áudios que circulam em grupos de mensagens apontam que o dono da empresa teria sido contatado pelos sequestradores.

A empresa também afirma que não recebeu ameaças para pagar taxas à traficantes que controlam áreas do Subúrbio Ferroviário, como foi denunciado por familiares de um dos mortos. “A Planet Internet encontra-se consternada com o ocorrido e vem prestando todo o apoio necessário às famílias dos funcionários. Destaca, ainda, que em momento algum, a empresa foi contactada, por quem quer que seja, muito menos, recebeu qualquer pedido de resgate ou de pagamento para acesso de suas equipes à localidade em questão”, diz.

A Planet Internet completa a nota dizendo que segue colaborando com as investigações junto às autoridades. Em entrevista ao CORREIO, o familiar de uma das vítimas lembrou relatos de ameaça sofridos por um dos técnicos enquanto trabalhava nas ruas e era abordado por traficantes, que mandavam recados intimidadores à empresa.

“Ricardo morreu por causa desse pedágio que eles cobram. Antes, ele já tinha sido ameaçado pelos traficantes, que liberaram eles para dar o recado [à empresa] e deixaram claro que, se não pagasse, onde os técnicos fossem, eles iriam matar. Queriam propina e ele morreu inocente”, disse um parente de Ricardo Antônio da Silva Souza, de 44 anos. Além dele, os técnicos Jackson Santos Macedo, 41, e Patrick Vinícius dos Santos Horta, 28, foram mortos no crime.

A polícia investiga se o triplo homicídio é mais um resultado da prática cruel das facções criminosas que cobram taxas para empresas de serviços como internet e gás. Nesse caso, os criminosos seriam integrantes do Comando Vermelho.

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