PM que matou esposa policial com tiro na cabeça em Salvador queimou celular da vítima após crime
Denúncia do Ministério Público aponta que policial colocou aparelho queimado em um saco com água após o feminicídio
Por Wendel de Novais

Celeste era casada com Hermano Crédito: Reprodução
O policial militar João Marcelo Araújo Hermano, acusado de matar a esposa, a cabo da PM Celeste Martins Oliveira do Nascimento, com um tiro na cabeça em Salvador, queimou o celular da vítima e o colocou dentro de um saco plástico com água após o crime, segundo a denúncia do Ministério Público da Bahia recebida pela Justiça.
Para os investigadores, a atitude indica uma tentativa de alterar a cena do crime e dificultar a produção de provas. Na decisão, o juiz destaca que há indícios de que, após efetuar o disparo contra a companheira, o policial “inovou artificiosamente o estado de lugar e de coisa, queimando o celular da vítima e colocando em um saco plástico contendo água”.
Por esse motivo, além de responder por feminicídio qualificado, Hermano também foi denunciado por fraude processual. O magistrado recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público por entender que há materialidade do crime e indícios suficientes de autoria. Na mesma decisão, manteve a prisão preventiva do policial, afirmando que permanecem os fundamentos que justificam a medida.
Segundo o documento, a gravidade do caso é evidenciada pelo modo de execução do crime, já que João Marcelo teria efetuado um disparo de arma de fogo na parte superior da cabeça da vítima, recurso que teria dificultado qualquer possibilidade de defesa. O crime aconteceu na tarde de 3 de julho, no apartamento onde o casal morava, no Edifício Mirabeau Sampaio, no bairro do Barbalho, em Salvador. Celeste Martins Oliveira do Nascimento foi encontrada morta dentro do imóvel.
Após o crime, João Marcelo Araújo Hermano se apresentou espontaneamente ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), acompanhado de uma advogada. Ele foi preso em flagrante, e a prisão foi convertida em preventiva durante audiência de custódia.
Celeste e o marido atuavam na área de inteligência da Polícia Militar da Bahia. A cabo era lotada na estrutura da Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Na época, a SSP-BA classificou o caso como feminicídio, lamentou a morte da policial e afirmou que acompanharia as investigações, reforçando o compromisso com o enfrentamento à violência contra a mulher.
A Polícia Militar também manifestou pesar e informou que adotaria as medidas administrativas cabíveis. João Marcelo Araújo Hermano passa agora à condição de réu. O processo seguirá para a fase de instrução, na qual serão produzidas provas e ouvidas testemunhas. Ele responde às acusações com direito à ampla defesa e ao contraditório.

























