Flávio Bolsonaro na mira da PF: quebra de sigilo de fundo de Dark Horse depende de aval do governo Trump

Na mira da Polícia Federal (PF), que enviou parecer à Procuradoria-Geral da República (PGR) para abertura de investigação sobre a remessa de milhões de dólares para o fundo Havengate, supostamente para financiar o filme Dark Horse — que narra a versão da extrema direita sobre Jair Bolsonaro (PL) —, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conta com a blindagem de Donald Trump para evitar a quebra de sigilo que pode revelar um esquema de lavagem de dinheiro do clã nos EUA.

Mensagens reveladas pelo The Intercept Brasil mostram que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu para Thiago Miranda, que atuava junto com Daniel Vorcaro, para “enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual”. As informações são da Revista Fórum.

“Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemática”, escreveu Eduardo, colocando Altieris Santana, sócio de Paulo Calixto no Havengate, “à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja”.

Em fevereiro, Santana e Calixto abriram a offshore MCC-4 Equity Fund GP LLC em Delaware, paraíso fiscal nos EUA que está na mira das investigações da PF também no caso Refit, de Ricardo Magro.

Por se tratar de um senador, a PF enviou solicitação à PGR e dependerá do Supremo Tribunal Federal (STF) para obter aval para investigar Flávio Bolsonaro. O caso deve cair com André Mendonça, que é relator do escândalo do Master na corte.

Blindagem

No entanto, André Mendonça não é o único obstáculo para a PF investigar Flávio Bolsonaro. Caso a abertura do inquérito seja autorizada, os investigadores devem enviar um pedido de quebra de sigilo do fundo Havengate aos EUA para detectar suposta lavagem de dinheiro por Vorcaro. A suspeita é que parte da cifra milionária tenha sido usado para bancar a vida de luxo e a conspiração de Eduardo Bolsonaro contra o Brasil.

Pelas vias diplomáticas, o pedido de quebra de sigilo terá de ser feito pelo Ministério da Justiça diretamente ao governo Donald Trump, dos EUA, que decidirá se colabora ou não com os investigadores brasileiros.

Além disso, o envolvimento de facções na investigação sobre o caso Master, que inclui suposta lavagem de dinheiro ao PCC, poderia retardar ainda mais o pedido de quebra de sigilo, que teria que passar também pela CIA, agência de inteligência dos EUA.

Diferentemente do Brasil, que tem um Ministério Público independente, nos EUA os procuradores são vinculados ao mesmo Departamento de Justiça e também dependem do aval do governo Trump para troca de informações com outros países.

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