Por Larissa Rodrigues
Em menos de uma semana, cinco fatos movimentaram o ambiente político de Pernambuco de uma forma que pressiona o grupo liderado pelo prefeito do Recife, João Campos (PSB), a tomar decisões, além de testar a capacidade de articulação do gestor e equipe. O presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputado Álvaro Porto (PSDB), que ampliou relevância e densidade política nos últimos anos, declarou, no último sábado (28), que sua candidata ao Senado é a ex-deputada Marília Arraes.
Álvaro Porto está próximo de João Campos e também já garantiu que o prefeito será seu candidato ao Governo do Estado e que vai fazer com João o que fez com a governadora Raquel Lyra (PSD) nas últimas eleições, correr todo o Estado ao lado do socialista durante a campanha. Sendo Álvaro a principal liderança do Agreste Meridional, chancelou o projeto de Marília. Alinhado ao prefeito, deverá ter sua opinião considerada.
No dia seguinte, domingo (1º de março), a própria Marília disse que sua candidatura ao Senado é irreversível e declarou: “Meu governador é João Campos e meu presidente é Lula”. Recebeu acolhimento no PDT e a garantia de estrutura da legenda para a disputa à Casa Alta, causando rebuliço nos bastidores.
Na segunda-feira (2), o vereador Osmar Ricardo, do PT, aliado de João Campos e ocupante da vaga na Câmara do Recife graças a um gesto do prefeito, que puxou o titular (Marco Aurélio Filho) para a gestão, se voltou contra o socialista e assinou um pedido de CPI que tinha por objetivo desgastar João em ano eleitoral. Deixou no ar o questionamento: como foi possível que uma pessoa que devia a cadeira de vereador ao prefeito tenha tido disposição para um movimento desse tamanho?
Ontem (4), até as 16h, era dada como certa nos bastidores da política de Pernambuco a informação de que o ministro de Portos e Aeroportos, Sílvio Costa Filho (Republicanos), teria aceitado ser candidato a vice-governador na chapa liderada por João Campos. O boato circulou em diversos grupos de WhatsApp, sacudindo o xadrez durante a tarde, até que Silvinho resolveu intervir.
O ministro soltou uma nota na qual descarta a possibilidade de ser vice de João sem deixar claro, inclusive, que permanece ao lado do prefeito, embora tenha reforçado que estará com o presidente Lula. “Nosso projeto está muito claro. Disputar o Senado federal ao lado do presidente Lula e de todos que sonham com um Pernambuco mais forte”, disse Silvinho. Para bom entendedor, Raquel também sonha com um Pernambuco mais forte.
Para terminar, o quinto fato dos últimos dias a pressionar João Campos foi tratado com ele próprio na reunião que teve ontem com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o senador Humberto Costa: o PT não aceita que a chapa do prefeito tenha três candidatos ao Senado, sendo dois oficiais e um avulso, porque considera que fragmentaria os votos e prejudicaria as candidaturas. Não há restrição a nomes. Não interessa quem estará na outra vaga, já que Humberto assumirá uma delas. Mas o PT só aceita dois candidatos ao Senado na chapa de João Campos.
As encruzilhadas de João – Os cinco fatos políticos que marcaram os últimos dias colocaram João Campos contra a parede. O prefeito terá que quebrar cabeça para resolver as encruzilhadas em que se meteu e mostrar que comanda o jogo, assim como fez em 2024, quando era “senhor” de sua reeleição. Talvez o prefeito precise de mais cabeças-brancas ao seu redor, com experiência política e visão eleitoral.



























