Michel Temer como terceira via?

 

Por Larissa Rodrigues 

O ex-presidente Michel Temer (MDB), que ocupou a Presidência da República após o golpe de Estado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), não descarta a possibilidade de concorrer à vaga de presidente nas eleições deste ano, embora tenha afirmado que uma nova candidatura presidencial não está em seu horizonte político imediato.

Temer disse, em entrevista à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, esta semana, perceber um cansaço da sociedade com o que ele enxerga como polarização política. “Por onde eu ando, eu percebo que as pessoas querem uma alternativa moderada, estão cansadas da polarização. Ser candidato não é algo que faça parte dos meus planos, mas vamos esperar o que vai acontecer”, afirmou.

A declaração ocorre em meio a movimentos de aliados que defendem seu nome como alternativa eleitoral. O presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, disse, também esta semana, que as bases do partido têm defendido a candidatura de Temer. “O presidente Michel é muito querido no MDB. Essa é uma questão que nasce das bases do partido. Há um sentimento de que o MDB tem que ter candidato próprio à Presidência da República. E o nome dele, no meu entendimento, une o partido”, declarou Baleia Rossi ao portal Metrópoles.

O ex-ministro Carlos Marun, ex-chefe da Secretaria de Governo de Temer e um dos principais aliados dele, também andou levantando essa bandeira nos últimos dias e apontou que a possível candidatura teria como principal objetivo quebrar a polarização entre simpatizantes do presidente Lula (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os movimentos de Baleia Rossi e de Marun, que geraram a declaração de Temer não descartando a possibilidade de entrar na disputa, soam como uma espécie de balão de ensaio, para observar a aceitação do nome do ex-presidente. Embora nada seja impossível na política, principalmente no Brasil, Baleia Rossi, Marun e Michel Temer sabem das dificuldades de um possível projeto liderado pelo ex-presidente.

Michel Temer é apontado pela esquerda brasileira como principal arquiteto do golpe contra Dilma Rousseff. Dificilmente teria apoio de metade do país, em um eventual segundo turno, por exemplo. Além disso, tem sua imagem relacionada à velha política. Não é preciso pesquisa alguma para captar que o sentimento de boa parte da população, que cansou de Lula e de Bolsonaro, anseia por um projeto novo, que traga, renove os ares da política brasileira, que se conecte às necessidades reais do povo. Michel Temer está longe de representar esse sentimento.

Tarcísio fora – Após visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha, em Brasília, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou, ontem (29), que apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e que sua prioridade é a reeleição ao Governo do Estado. “A gente conversa sobre isso desde 2023, que meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma, eu tenho uma linha de coerência. Tenho comprometimento com o Estado de São Paulo. Sou grato ao Estado de São Paulo”, afirmou a jornalistas. Questionado sobre o apoio a Flávio, Tarcísio reforçou: “Claro, sem dúvidas. Tenho reiterado isso constantemente”. As informações são do portal G1.

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