Ministério Público investiga prefeito por censura em feira literária; saiba mais

Caso ocorreu em setembro de 2025, quando Milly Lacombe foi “censurada” após fala contra a família tradicional  |   Bnews - Divulgação Divulgação/MP-SP

Por Héber Araújo

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) instaurou um inquérito contra a administração pública de São José dos Campos por acusações de censura e violação da liberdade de expressão. As acusações ocorrem após o cancelamento da participação da jornalista Milly Lacombe na 11ª edição da Festa Litero Musical (Flim).

O cancelamento da participação dela teria ocorrido após a jornalista ter participado do podcast ‘Louva a Deusa’ onde fez críticas à família tradicional brasileira. Após resgatarem os vídeos de suas declarações, políticos conservadores pressionaram a gestão municipal para cancelar a participação dela no evento.

O inquérito aberto cita o vídeo publicado em redes sociais no dia 16 de setembro de 2025, onde o prefeito Anderson Farias (PSD), acompanhado do vereador Zé Luíz (PSD), revela que ligou para a administração do evento e pediu o cancelamento da participação de Milly.

“Imediatamente já liguei ao Vicentina Aranha, conversei com o doutor Aldo Zonzini, que é o nosso diretor executivo lá da Afac [Associação para o Fomento da Arte e da Cultura], que é a entidade gestora, e já decidimos ali, no sábado pela manhã, foi decidido que nós não íamos mais trazê-la por causa dessas questões da postura dela”, disse o prefeito no vídeo.

Segundo o promotor que determinou a investigação, o vídeo é a principal prova, pois, segundo ele, a publicação mostra os critérios que foram usados para desconvidar a jornalista, que atua para o UOL.

“Ocorreu a utilização de critérios subjetivos e convicções pessoais para calar voz plural em evento cultural custeado com recursos públicos, o que caracteriza o odioso ato de censura”, apontou.

No podcast, Milly Lacombe afirmou que a família tradicional é um horror e base do facismo.

“Esse negócio de família tá f**** a gente. Família é um núcleo produtor de neurose. Essa família tradicional, branca, conservadora, brasileira. Gente, isso é um horror. É a base do fascismo. Falemos a verdade”, destacou.

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