Mortes no Fallet: mais um batalhão entra na mira da investigação do MP

Mais um batalhão entrou na mira da investigação sobre a operação que terminou com 15 mortos em favelas da Região Central do Rio na semana passada. Promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) descobriram que agentes do Batalhão de Ação com Cães (BAC) também estiveram no Morro do Fallet, no Rio Comprido, naquele dia. Foram policiais da unidade que mataram dois irmãos dentro de uma casa no alto da favela.
Até agora, a unidade não havia sido citada em nenhuma nota emitida pela PM sobre a operação — só haviam sido mencionados os batalhões de Choque e de Operações Especiais (Bope). No entanto, o EXTRA apurou que agentes do batalhão são investigados em um dos cinco inquéritos abertos pela Delegacia de Homicídios (DH) para investigar as mortes na operação. As vítimas são Maikon e David Vicente da Silva, de 17 e 22 anos.
Os policiais alegam que houve tiroteio, os dois foram baleados e socorridos até o Hospital municipal Miguel Couto. Os agentes afirmaram ter apreendido uma pistola, um celular e papelotes de cocaína no local. Entretanto, vizinhos dos irmãos afirmam que os jovens foram torturados por 40 minutos antes de serem assassinados.

— Os PMs entraram no beco por volta das 8h. Bateram nas portas das casas e deram ordem para que entrássemos e não saíssemos mais. Depois bateram na casa onde os meninos estavam. Eles abriram e os PMs entraram. Não dá nem para falar que houve tiroteio. Eles ficaram 40 minutos lá dentro. Os meninos apanharam muito, deu para ouvir eles gritando e chorando. Depois, mataram e levaram os corpos — disse uma vizinha.
A mãe dos dois rapazes não estava na casa no momento em que os PMs chegaram. Ela contou que saiu para fazer compras no supermercado mais próximo à favela antes das 8h e, quando voltou, os dois filhos já haviam sido levados. O imóvel fica a cerca de 1km da casa em que outros nove jovens foram mortos por agentes do Batalhão de Choque no mesmo dia, na Rua Eliseu Visconti, principal acesso ao Morro do Fallet. Moradores confirmaram o envolvimento dos jovens com o tráfico, mas afirmam que eles não estavam armados.
Procurada para esclarecer por que o BAC não havia sido citado, a PM alegou que “a operação foi realizada por equipes do Comando de Operações Especiais (COE) da Polícia Militar, sendo o Batalhão de Ações com Cães (BAC) pertencente ao mesmo”. A corporação não informou por qual motivo os agentes entraram na casa dos dois irmãos.
19 anos, numa filial do supermercado Extra, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, deixou a Delegacia de
Homicídios (DH) da Capital na madrugada desta sexta-feira. A informação é do advogado dele, André França
Barreto. A libertação ocorreu mediante pagamento de fiança. Davi foi indiciado por homicídio culposo (quando não
há intenção de matar).
A ação aconteceu no início da tarde desta quinta-feira. De acordo com o Corpo de Bombeiros, Pedro chegou a ser levado com uma parada cardiorrespiratória para o Coordenação de Emergência Regional (CER) da Barra, mas morreu na unidade. André França conta que, de acordo com a versão de Davi, o rapaz parecia “alterado”, simulou uma convulsão e, depois, um desmaio.
— Testemunhas prestaram depoimento e demonstraram que não foi bem assim que as coisas aconteceram. em sede policial, eles contaram que por volta de meio-dia e trinta, um jovem que já se encontrava dentro do supermercardo vem correndo na direção do Davi, que pede para ele não se aproximar, percebe que ele está alterado. O jovem se joga ao chão e simula um ataque convulsivo e um desmaio — disse o advogado.
Ainda de acordo com o defensor, O segurança, então, iniciou o procedimdento de primeiros-socorros:
— Nesse momento, ingressa a mãe do rapaz informando que ele era dependente químico, que estava sob o efeito de entorpecentes. Ele desperta dessa simulação, agride o segurança, entra em luta corporal. Ele consegue retirar do coldre a arma do segurança, levanta e começa a ameaçar esse segurança como o outro e mais presentes no estabelecimento. O segundo segurança consegue retirar a arma do rapaz, que entra em luta com o Davi. Que consegue fazer a contenção e aguarda a chegada da força policial.
André disse ainda que, ao ouvir pessoas gritando que Pedro estava desmaiado, Davi não acreditou.
— No primeiro momento ele havia acreditado nesse “desmaio” e foi atacado. Ele aguarda a chegada de reforços para auxiliá-lo.
O padrasto de Pedro já foi ouvido na DH e contou que o rapaz tinha problemas mentais e era usuário de drogas. A
mãe do jovem ainda não prestou depoimento.
Vídeo mostra ‘gravata’ e gritos de testemunhas
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que o seguranças dá a “gravata” no rapaz. Na cena, em que ele aparentemente está desacordado, algumas testemunhas chegaram a afirmar e alertar os seguranças: “está sufocando ele”, disse uma delas. “Ele está roxo”, falou outra.
No registro, uma mulher pede para que ele seja solto: “não está armado”. Há outros seguranças no local. Em outro vídeo também é possível ver bombeiros socorrendo o jovem.
Seguranças afastados
Por meio de nota, o supermercado Extra afirmou que a ação do segurança foi uma reação a uma “tentativa de furto a arma de um deles”:
“A rede esclarece que repudia veemente qualquer ato de violência em suas lojas. Sobre o fato em questão, a empresa já abriu uma investigação interna e constatou de forma inicial que se tratou de uma reação a tentativa de furto a arma de um dos seguranças da unidade da Barra da Tijuca”, diz um trecho do comunicado, que prossegue:
“Após o indivíduo ser contido pelos seguranças, a loja acionou a polícia e o socorro imediatamente. A empresa já abriu um boletim de ocorrência e está contribuindo com as autoridades para o aprofundamento das investigações”, finalizou a empresa.

O supermercado informou ainda que os seguranças presentes na ação foram afastados da empresa.

























