Sob João Campos, Prefeitura do Recife gastou 8 vezes mais com propaganda do que com a Secretaria da Mulher; Prefeitura não realiza nenhum concurso para reposição de guardas desde 2015
Do Blog Manoel Medeiros
Responsável por deixar a Guarda Municipal do Recife com o menor efetivo dos últimos dez anos – e em condições precárias de remuneração e estrutura – a gestão do ex-prefeito João Campos (PSB) teve ação insignificante no que se refere à Brigada Maria da Penha, grupamento da Prefeitura composto por agentes da guarda responsáveis por fazer atendimentos e monitoramento de mulheres em situação de vulnerabilidade na capital.
Diante de uma população de pouco mais de 850 mil mulheres, segundo o IBGE (2025), a Brigada Maria da Penha do Recife contava até pouco com apenas 12 agentes – um para cada 72 mil mulheres. A execução orçamentária da própria Secretaria da Mulher do Recife no período sob a gestão de João Campos é irrelevante perante os mais de R$ 40 bilhões que administrou: para se ter uma ideia, a administração do ex-prefeito gastou quase sete vezes mais em propaganda do que todos os gastos somados da Pasta.

Os dados confrontam a estratégia eleitoral de Campos de atacar a gestão estadual no quesito, quando, à frente da administração municipal, as ações preventivas de segurança pública capitaneadas pelo Recife foram aquém do necessário, incluindo diminuição de investimentos em iluminação pública (mesmo com arrecadação da CIP em alta), não realização de concurso público para a guarda e abandono de postos da operativa, a exemplo da unidade da Rua da Aurora, inaugurada para funcionar 24h e atualmente inativada.
Criada em 2017, na gestão do ex-prefeito Geraldo Julio (PSB), por meio da lei municipal nº 18.426/2017, a Brigada Maria da Penha contava inicialmente com oito componentes (sendo quatro mulheres). De acordo com a própria imprensa da Prefeitura, a última alteração ocorreu em 2022, quando passou a contar com 12 brigadistas e duas unidades, sob coordenação da Secretaria da Mulher em parceria com a Secretaria de Ordem Pública e Segurança.
Em julho de 2025, um requerimento da vereadora do Recife Liana Cirne (PT) foi aprovado pelo plenário da Casa solicitando à gestão Campos o reforço e a ampliação da ação. “Ainda são insuficientes as unidades e equipes das Brigadas para atender à demanda crescente, especialmente nas áreas mais vulneráveis e periféricas da cidade, onde há maior subnotificação e dificuldade de acesso aos serviços de proteção”. Em resposta, a secretária da Mulher do Recife, Glauce Medeiros, afirmou que “A Secretaria da Mulher vem discutindo a viabilidade de ampliação da Brigada Maria da Penha em conjunto com o Comando da Guarda Civil Municipal”.
GUARDA MUNICIPAL – Desde 2019, segundo dados coletados na Prefeitura via Lei de Acesso à Informação (LAI), são 345 homens e mulheres a menos nas ruas, uma redução de 18%. O número atual é de cerca de 1,6 mil.
ORÇAMENTO DA MULHER – Sob João Campos, o Recife gastou R$ 46 milhões com políticas públicas para as mulheres em cinco anos e três meses, 64% do total disponibilizado (R$ 71 milhões). Os gastos com publicidade (R$ 308 milhões), no mesmo período, representaram quase sete vezes mais.

























