Motorista de aplicativo é achado morto degolado e com mais de 20 tiros após entrar por engano em área de facção

Família acredita que Sandro Castro Menezes tenha entrado por engano em uma comunidade dominada pelo crime organizado

Por Carol Neves

Sandro Castro Menezes Crédito: Reprodução/TV Globo

O motorista de aplicativo Sandro Castro Menezes foi encontrado morto na manhã da terça-feira (16) na Penha Circular, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O corpo, que apresentava sinais de tortura e mais de 20 perfurações por disparos de arma de fogo, estava na Rua Francisco Enes. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

O corpo de Sandro estava mutilado ao ser localizado. Segundo a família, ele teve coração e o pulmão perfurados, a coluna cervical quebrada, um dedo arrancado, o órgão genital decepado e foi degolado.

Segundo a TV Globo, a família acredita que Sandro tenha sido morto após entrar por engano em uma comunidade controlada pelo crime organizado enquanto trabalhava. A Polícia Civil apura as circunstâncias do assassinato e busca identificar os responsáveis.

Segundo a família, o motorista saiu de casa por volta das 19h de segunda-feira (15) para trabalhar e deixou de manter contato. Diante das tentativas frustradas de localizá-lo, parentes registraram o desaparecimento na polícia por volta das 4h desta terça-feira. Pouco depois o corpo foi encontrado.

A Polícia Militar informou que agentes do 16º BPM (Olaria) foram acionados para atender uma ocorrência de encontro de cadáver e realizaram o isolamento da área para a perícia. Nada foi levado de Sandro.

“Foi uma selvageria, uma barbárie. Ele era muito gente boa, honesto, educado, tranquilo demais. Nunca levantou a voz. Não merecia isso. É surreal, parece filme de terror”, disse a O Globo Marcelo Carvalho de Melo, sogro de Sandro.

Marcelo contou que relatos de colegas da vitima e mensagens enviadas à viúva indicam que o motociclista foi capturado após entrar em uma comunidade dominada por uma facção rival da que atua em Realengo, onde ele vivia com a esposa e a filha de 4 anos. “No Rio de Janeiro, você não pode falar que mora em tal local. Nós, cariocas, achamos que isso é normal. Mas não é”.

Ainda de acordo com o sogro, Sandro saiu de casa para aproveitar uma brecha na chuva forte e trabalhar. Por volta das 22h, a esposa tentou contato com o motociclista, mas ele não atendeu. Depois, as mensagens pararam até de chegar. Na terça pela manhã ela recebeu o aviso de que o corpo do marido havia sido localizado.

“O Sandro era trabalhador, sustentava a família com as corridas que fazia. Não tinha nada no celular dele nem nas redes sociais, onde mal publicava, que possa levar a crer que ele tenha sido confundido com alguém. A moto era velha. A gente não tem prova da motivação e da autoria, mas tudo leva para a tese de que tenha sido morto por traficantes. Colegas dele falaram isso para a minha filha”.

Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia de Homicídios da Capital foi acionada e que “diligências estão em andamento para apurar a autoria e circunstâncias do crime”.

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