O Brasil de duas Dilmas em uma

 

Por Jorge Galego

 

A Ilustríssima Presidenta da República do Brasil, Dilma Rousseff, passa em Juazeiro, norte da Bahia, nesta sexta-feira, 14 de agosto. Ela vem participar da cerimônia oficial de entrega de casas do “Minha Casa Minha Vida”. Bom momento para externar uma avaliação do desempenho desta nobre Mulher no cargo de Presidente. Na verdade, vinha escrevendo desde abril para a semana das comemorações da Independência ou do primeiro Golpe Militar do Brasil, a Proclamação da República. É uma precipitação feita do lugar de cidadão e militante, já um pouco retraído, do Partido dos Trabalhadores, mas hoje alinhado a uma possível Restauração da Monarquia no Brasil.

 A nossa presidenta é boa Chefe de Estado, mas deixa a desejar como Chefe de Governo. Sem dúvida, a atual crise política nacional não resulta da fragilidade na economia. Para a maioria, a parte pobre do povo, a crise financeira sempre foi ou será uma eterna constante. Junta-se a tal alardeada crise econômica, a inabilidade da Dilma em dialogar com a base aliada de seu governo. Base construída nos frágeis conchavos históricos da podre política nacional, que deixou de evoluir para o bem, a partir da instituição da República em 1889. Só numa maldosa república para vermos setores da oposição e do próprio governo insinuarem a queda da Chefe da Nação. Cenário em que, enquanto alguns falam em renúncia, outros buscam a cassação ou o impeachment sem respaldo jurídico de uma das Dilmas, mas qual?

Será que querem derrubar, a mulher centrada e organizada, que mesmo sob pressão da Grande Mídia e de setores populares descontentes, tem mantido a seriedade em diminuir gastos públicos e aprimorar investimentos? Vetos a Leis que criava novos municípios em plena corrida eleitoral ano passado (na época não entendi), e o recente, ao aumento dos servidores do judiciário, ou a intensão de alinhar ao controverso ajuste fiscal a investimentos em logística e no setor elétrico, exemplificam a firme postura de nossa Chefe de Estado.  Ou será que desejam o poder da Dilma, Chefe de Governo, que não tem dito a que veio?

Um Governo que até aqui, só tem tomado medidas trucadas, a começar por dificultar direitos dos trabalhadores – talvez o maior motivo de sua impopularidade. Preço pago por nós, por acreditarmos em propostas não organizadas num Plano de Governo, mas que bem trabalhadas pelomarketing eleitoral. A situação só não está pior, porque existe resultados de ações iniciadas no governo passado, o que certamente pode alavancar a recuperação da imagem da presidenta Dilma. Programas como “Minha Casa Minha Vida”, “Bolsa Família”, “Pronaf”, entre outros, mesmo que tenham problemas pontuais devem ajudá-la. O resto, fica sempre do jeito que sempre foi, a maquiagem de dados e uma boa campanha publicitária.

As Dilmas, forte e destemida como é, já encara trabalhadores que lhe confiaram o voto, sem ao menos pensar que os prejudicou com as “medidas bombas” do início deste governo.  Ela agora quer reorganizar sua base no parlamento nacional. A oposição é coisa para o PSDB de paulistas e mineiros. O noticiário dá conta da coesão do governo com o Senado, mas e a “hostilidade” da Câmara? Confesso que simpatizo com o discurso da independência do congresso, em especial uma possível volta do Parlamentarismo ao Brasil, defendido por Eduardo Cunha, atual presidente da Câmara dos Deputados.

Contudo, primeiro deve-se discutir formalmente na Câmara e perante a sociedade. Entender se já recuperamos a maturidade para tal. Se positivo, faz-se a alteração da Constituição. Mas é preciso lembrar, que em 21 de abril de 1993, o povo rejeitou em plesbicito a revisão constitucional prevista. Então, talvez apenas uma Nova Constituinte possa trazer de volta o Parlamentarismo ao país. Se aprovada naquela época, hoje a Presidente Dilma  Rousseff poderia, se não fosse a mesma pessoa, depois de análise minuciosa  junto ao Conselho de Estado, poderia aceitar a demissão ou demitir a presidenta Dilma Rousseff.

Contudo, entendo que se não tivesse ocorrido a quartelada histórica de 15 de Novembro de 1889, politicamente povo e parlamento teriam reformado a primeira Constituição Parlamentar, outorgada por D. Pedro I. Aperfeiçoar a Monarquia que tínhamos teria sido bem melhor do que  vivermos nesta república malandra, pirotécnica e corrupta. Com isso, D. Isabel seria nossa primeira brasileira Imperatriz a Chefiar, nosso sério e estável Brasil. Sem esquecer que D. Leopoldina, também chefiou nossa nação como Regente, inclusive a época de nossa Real Independência. Se ficamos livres dos portugueses já em 7 de setembro de 1822, agradeçamos ao trabalho dela, junto ao marido D. Pedro I. Aliás, nossos livros de História não ensinam mais esses detalhes. Será por quê? Então, diferentemente do que acreditam alguns republicanos, Dilma Rousseff não é a primeira mulher a chefiar a nação.

[i] Jornalista, escritor e professor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *