
Contava Sebastião Nery, o bom amigo que em setembro do ano passado nos deixou, que em 1972 Antônio Carlos, governador nomeado da Bahia, soube que o banqueiro Clemente Mariani, pressionado por Delfim Neto, ia vender o Banco da Bahia ao Bradesco. Chamou Mariani ao palácio:
– Doutor Mariani, isso é ruim para a Bahia. Se o senhor quer vender o banco, o Estado compra pelo preço que o senhor vai vender.
– Não, Antonio Carlos. Não vou vender. Você acha que eu teria condições de vender o Banco da Bahia e me enterrar na Bahia?
No dia 2 de julho de 1973, ACM voltava do desfile cívico, soube que o Banco da Bahia tinha sido vendido ao Bradesco. Chegou ao palácio, baixou decreto desapropriando a mansão de Clemente Mariani na Barra, transformando-a numa escola para excepcionais.
Era um belo latifúndio urbano, no alto do morro da Barra. O mundo quase veio abaixo. Mariani foi à Justiça e perdeu.
– Se ele quer morar aqui, se trate como tratou a Bahia. Vá morar num casebre!


























