O peso dos vínculos e dos erros na campanha à sucessão estadual

Por Raul Monteiro*

Foto: Divulgação/Arquivo

Jerônimo Rodrigues e ACM Neto

 

Por Raul Monteiro 

Não é de agora que se diz que este ano a vitória estará do lado de quem errar menos na corrida ao Palácio de Ondina. Apesar de ser um sinal sobre quanto a disputa será acirrada, como era a expectativa desde o princípio e começam a confirmar as pesquisas, não deixa também de ser uma referência à campanha protagonizada por ACM Neto em 2022, acusada de ter cometido mais erros que acertos, muito embora não se possa culpá-lo pela imensa sorte do adversário Jerônimo Rodrigues (PT), então um desconhecido, que foi puxado para o cargo de governador pelo apelo ao voto no 13, liderado nacionalmente pelo hoje presidente Lula.

O peso do vínculo do PT e de Lula na eleição de Jerônimo há quatro anos, assim como na do senador Jaques Wagner em 2006, quando assegurou ao partido pela primeira vez o acesso ao poder na Bahia ao ser eleito governador, foram lembrados por Andrei Roman, CEO do instituto AtlasIntel, num jantar-palestra na última segunda-feira, promovido pela Associação Comercial da Bahia e o grupo A Tarde, ao qual compareceu a nata do poder político e econômico do Estado. De forma simples, técnica e sucinta, Andrei discorreu primeiro sobre o complexo cenário nacional envolto na polarização até chegar na incógnita que cerca a sucessão estadual.

Era uma passagem mais do que obrigatória. Afinal, o AtlasIntel foi o único que, sob desconfiança geral, antecipou a ascensão e vitória de Jerônimo naquela disputa, quando todos os outros institutos davam a eleição de Neto como certa. Longe de desconsiderar a força própria da figura de Wagner na campanha ao governo do Estado, 16 anos antes de Jerônimo concorrer, Andrei confirmou um fenômeno que praticamente regula as eleições baianas desde a redemocratização. A aliança entre um candidato ao governo com um forte postulante ao Planalto é caminho certo para o sucesso, não importam o esforço, a capacidade e o valor do jogador estadual.

Para superar o determinismo da campanha nacional sobre a local, mesmo detendo popularidade, o candidato a governador precisa ter como meta errar o mínimo possível, o que passa por destinar uma atenção mais do que redobrada com sua comunicação de forma geral. A decisão de Neto de contratar o marqueteiro baiano João Santana para tocar sua campanha passa fundamentalmente por este objetivo. Santana não é apenas um profissional experiente e qualificado, mas conduziu algumas campanhas petistas bem-sucedidas, conhecendo, portanto, de perto o modus operandi dos adversários do candidato das oposições ao governo da Bahia.

Curiosamente, não se vê a mesma preocupação do lado adversário. Jerônimo até hoje não definiu quem vai tocar sua campanha à reeleição nem parece, desde que tomou posse, dedicar grande atenção à sua comunicação, razão pela qual não imprimiu marca própria à gestão. A escolha de uma chapa puro-sangue, com Wagner, o ex-ministro Rui Costa e um vice que equivale a uma nota de 11 para enfrentar a disputa contra Neto é forte indicativo de que pelo visto o grupo como um todo tem a certeza de que, ao final, a mão de Lula vai salvar a todos, a despeito da, como bem apontou Andrei, evidente erosão da base de apoio ao presidente no Nordeste.

 

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