Opinião: Inexperiência fala mais alto
Opinião
A Prefeitura de Olinda priorizou a saúde da população ao decidir cancelar o Carnaval de rua pelo segundo ano consecutivo. Sob a justificativa de evitar o avanço de doenças respiratórias, como a Covid-19 e o surto da gripe Influenza H3N2, o prefeito Professor Lupércio (SD) tomou esta medida e foi além: em entrevista coletiva, divulgou R$ 3 milhões em auxílio para os trabalhadores do setor (catadores, ambulantes e artistas em geral).

A iniciativa do gestor olindense deixou o Recife em uma posição de isolamento, sobretudo porque outras capitais que realizam a folia momesca também decidiram não fazer a festa este ano: Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, que manterá o desfile na Sapucaí. Já São Paulo havia programado o anúncio do cancelamento para hoje.
Se antes havia uma pressão para que João Campos (PSB) cancelasse o festejo de rua, tornou-se inevitável após Lupércio dominar a pauta. O pior de tudo é que o prefeito recifense nem pôde convocar uma coletiva para definir a suspensão, uma vez que passa os primeiros dias do ano na paradisíaca ilha de Fernando de Noronha. De toda forma, pegou muito mal um anúncio à imprensa por release e de forma tão atabalhoada, sem alguma medida para socorrer o segmento que trabalha durante a festa.
O episódio também serve de lição para João Campos, que teve a ilusão de que poderia liderar um comitê com as principais cidades do Carnaval ainda em novembro. Naquele momento, não levou em conta Olinda e agora assistiu aos gestores do grupo informal o ignorarem. Mais vividos, os prefeitos Eduardo Paes (Rio), Alexandre Kalil (Belo Horizonte) e Bruno Reis (Salvador) deram de ombros para o gestor recifense, que tinha colocado a segunda quinzena de janeiro como prazo para definição.
Acostumado a ser vanguarda, Recife ficou na lanterninha neste quesito.
Por Houldine Nascimento
























