A Prefeitura do Recife lançou, neste mês dedicado às mulheres, a Clara IA, ferramenta de inteligência artificial desenvolvida para identificar precocemente possíveis vítimas de violência e feminicídio atendidas nas unidades da Atenção Básica. A tecnologia amplia a capacidade da rede pública de saúde de reconhecer sinais de risco antes que a violência se agrave e integra um conjunto de estratégias voltadas ao fortalecimento do cuidado às mulheres no sistema municipal de saúde.
Entre essas iniciativas está o Guia Prático de Atenção às Mulheres em Situação de Violência no Recife, documento criado para qualificar a atuação dos profissionais da rede municipal no acolhimento, condução clínica e psicossocial, encaminhamento e notificação de casos. O nome da ferramenta faz referência à Rede Clarissa, iniciativa da Prefeitura dedicada ao atendimento e à proteção de mulheres vítimas de violência. Com informações do Blog Dantas Barreto.
A Clara IA analisa dados clínicos e históricos registrados nos sistemas de saúde e, ao identificar indícios compatíveis com situações de violência, emite alertas para médicos, enfermeiros, dentistas e profissionais das equipes multidisciplinares (E-Multi). A notificação aparece diretamente no prontuário eletrônico das Unidades Básicas de Saúde durante o atendimento. O desenvolvimento da ferramenta resulta de uma parceria entre a Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Saúde, a Vital Strategies e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a partir da análise de registros de atendimento de 16 mil mulheres vítimas de violência ao longo de dez anos.
“Hoje, 75% das notificações de violência contra a mulher no Sinan são realizadas pelos prontos-socorros, enquanto apenas 1% ocorre na Atenção Básica. Estamos trabalhando para transformar essa realidade, porque a identificação precoce, a compreensão do contexto, o acolhimento qualificado e o encaminhamento para a rede especializada podem fazer toda a diferença na vida dessas mulheres, contribuindo para romper o ciclo de violência e até evitar desfechos fatais”, explica a secretária de Saúde do Recife, Luciana Albuquerque. Após um projeto-piloto no Distrito Sanitário I, a iniciativa começa a ser ampliada neste mês para mais 21 unidades de saúde, totalizando 541 profissionais habilitados para o cuidado às mulheres em situação de violência.



























