Por Larissa Rodrigues
A pressão nos bastidores para que o deputado federal Eduardo da Fonte, presidente do PP em Pernambuco, anuncie que será candidato ao Senado na chapa da governadora Raquel Lyra (PSD) estaria desgastando a relação entre a gestora e o parlamentar. O impasse se dá porque Raquel quer que Dudu, como é mais conhecido, apresente uma definição na próxima semana. O deputado, porém, aguarda o momento ideal para tomar uma decisão.
Como disse, em reserva, um aliado de Dudu, “é preciso cabeça fria neste momento e a governadora está ansiosa”. Raquel estaria afirmando a pessoas próximas de Eduardo da Fonte que ele teria pulado para o lado do prefeito do Recife, João Campos (PSB), por não ter escutado ainda do parlamentar o que gostaria de ouvir.
A governadora se queixa de que seu adversário na disputa deste ano “está andando com três ou quatro pré-candidatos ao Senado ao seu lado”, enquanto ela não anunciou nenhum. Ela refere-se aos nomes que circularam com João Campos desde o ano passado em agendas, como Miguel Coelho (UB), Silvio Costa Filho (RP), Marília Arraes e Humberto Costa (PT), sendo Costa o único que já teria vaga garantida na chapa de Campos, por causa da aliança nacional entre PT e PSB.
Acontece que ao afirmar que Eduardo da Fonte fechou com João Campos, a governadora atrapalha o PP nesse período de janela partidária, período de 30 dias em que deputados estaduais e federais podem trocar de partido sem risco de perder o mandato. Alguns nomes têm resistência ao ingressar na sigla caso não seja ao lado de Raquel.
A leitura de um dos aliados de Dudu é a de que Raquel está fazendo tudo de caso pensado, justamente para desidratar a chapa do parlamentar, facilitando, assim, a negociação com ele. “Como Dudu está com João Campos se ninguém sabe disso?”, questionou uma pessoa próxima ao deputado, em conversa com este blog.
O fato é que Eduardo da Fonte aguarda a homologação da federação entre União Brasil e Progressistas, que deve se dar até o dia 20 de março, e também o fim da janela partidária, no início de abril, para anunciar qualquer que seja a decisão, inclusive porque já disse, em outras ocasiões, que tudo será resolvido em conjunto com aqueles que estiverem no grupo após o fim da janela. A pressão não vai mudar o ritmo dos prazos.



























