No dia em que a Primeira Turma do STF, por três votos contra dois, decidiu suspender o mandato do senador Aécio Neves e proibir-lhe de sair de casa à noite, com base em dois artigos do Código de Processo Penal, ainda que isto afronte a Constituição que só prevê prisão de parlamentar em flagrante delito de crime inafiançável, o senador Humberto Costa, em nome da liderança da Oposição, divulgou uma nota de solidariedade ao tucano. Entendia à época não ser aceitável a “prisão noturna” de um senador nem tampouco a suspensão do seu mandato sem confirmação pela Casa legislativa a que ele pertence.
Na última quarta-feira, por 6 votos contra 5 (sempre esse placar!), o plenário do STF decidiu que medidas cautelares impostas a um congressista têm que ter aval da Câmara (se for deputado federal) ou do Senado (se for senador). É o que se esperava da Suprema Corte, embora cinco ministros tenham votado em sentido contrário, ou seja, na linha de que a decisão do STF não dependeria de nenhum outro poder para produzir os seus efeitos. No entanto, o PT do senador Humberto Costa, o mesmo que ficara solidário com Aécio Neves quando ele foi punido pelos ministros da Primeira Turma, rapidamente mudou de opinião e agora anuncia que votará pela suspensão definitiva do mandato do tucano, atribuindo-lhe a responsabilidade pela queda de Dilma Rousseff e por uma parte do desgaste que o Partido dos Trabalhadores amarga em decorrência da Operação Lava Jato.


























