Dizendo-se perseguido no partido por suas posições contrárias ao governo do presidente Michel Temer, o deputado federal Daniel Coelho abandonou neste domingo (5) a convenção estadual do PSDB que elegeu o novo diretório e a nova executiva do partido.
O ministro Bruno Araújo (Cidades) foi eleito presidente em chapa única e ficará à frente do partido pelos próximos dois anos.
Daniel afirma que apesar de ter-se empenhado pela unidade do partido, não houve respeito ao princípio da proporcionalidade na chapa única eleita neste domingo. Ele pleiteou o cargo de tesoureiro da legenda mas o seu pleito não foi atendido.
“Não estão respeitando o princípio da proporcionalidade em relação a mim, que fui o deputado federal mais votado do partido em Pernambuco nas últimas eleições, com 138 mil votos”, protestou Daniel Coelho.
Ele disse que está sendo perseguido internamente por causa de posição contrária à participação do PSDB no governo do presidente Michel Temer.
“Votei pela abertura de inquérito contra o presidente Michel Temer. Dentro do PSDB, foram 23 votos a favor e 20 foi contra. Foi um erro. O PSDB devia ter se colocado ao lado do povo brasileiro. O que ocorre hoje é um veto às minhas posições porque votei contra Michel Temer. Me posicionarei sempre no que for a favor da população. Não me peçam para fazer acordo. Lamento até este momeno não ter sido divulgada a chapa”, acrescentou.
Durante o discurso, Daniel foi interrompido várias vezes por sua claque com gritos de “Fora, Temer!”, causando desconforto ao ministro das Cidades.
Ao final, ele pediu a exclusão de seu nome da executiva estadual do partido. “Militarei dentro do partido, continuarei no diretório nacional, mas não quero participar de um acordo da maneira como está colocado”, disse o deputado.
Veja trechos do seu discurso:
“Tentamos conversar sobre a unidade dentro do PSDB. Quando é possível, a gente faz de forma clara e aberta. Eu nunca me furtei a fazer um debate público. Tenho convicão das minhas posições, daquilo em que acredito. Em tendo convicção, discuto numa convenção, discuto numa rádio, na televisão, na tribuna da Câmara Federal ou de qualquer outro ambiente. Foi assim que cheguei ao PSDB vindo do Partido Verde”.
“O PSDB já tinha força no interior e no Sul do Estado, mas faltava ao partido uma pegada mais urbana, uma presença numa cidade do porte de Recife, de Olinda. Nesses sete anos de PSDB, ajudei a construir isto”.
“A gente precisa resolver problemas da educação e da saúde e não o que se vê hoje: a tentativa de acordos para composição de um governo. Priorizam as composições políticas e esquecem as necessidades do povo. É a pura distribuição de cargos e de vantagens na busca dessa chamada governabilidade”.
“Me esforcei nesses últimos dois meses em busca de uma composição de unidade entre a candidatura de Elias Gomes e a candidatura de Bruno Araújo, que nascia com o apoio de alguns prefeitos. Fui o único, Elias (dirigindo-se ao ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes), que não assinou um documento indicando Bruno (Araújo) para presidente porque sabia que aquilo o colocaria numa posição difícil. E a gente não quer constrangimento para ninguém, a gente quer um partido forte”.
“Lamento não poder dizer que há unidade dentro do PSDB. Mesmo tendo sido o deputado federal mais votado do PSDB aqui em nosso Estado, com 138 mil votos, não tenho a minha representação respeitada dentro da executiva estadual. Vocês podem observar que estamos fazendo uma convenção e não foram divulgados ainda os nomes dessa executiva”.
“Pleiteei a tesouraria, deixando os outros 10 cargos da executiva serem compostos livremente pelo partido. Mas, efetivamente, recebi um veto. É de se estranhar que isto ocorra com o deputado federal com a maior votação dentro do Estado, que agiu pela unidade. Tentei separar minhas divergências nacionais com a situação local”.


























