Seca atinge a produção avícola local
Longa estiagem ameaça avicultura, que injeta, por ano, R$ 2,8 bi na economia do Estado
Por: Raquel Freitas
Atualmente, são gerados 150 mil postos de trabalho para produzir 210 milhões de ovos e 13 milhões de frangos, por mês. Do total produzido, 2% são destinados ao comércio exterior e o restante abastece as regiões do País, sobretudo o Nordeste.
Presidente da Associação Avícola em Pernambuco (Avipe), Edival Veras explica que o maior problema está no Agreste, que concentra metade da produção do Estado. “A outra fica na Zona da Mata. No entanto, a produção mais expressiva está em municípios como São Bento do Una, Garanhuns, Belo Jardim, Pesqueira, Lajedo, Canhotinho e Bezerros, onde a seca de quase seis anos consecutivos atinge gravemente”, afirma, destacando que São Bento do Una, que possui uma das granjas mais importantes do Brasil, está no epicentro da crise hídrica.
É lá que acontece, todos os anos, a Corrida das Galinhas, tradicional festa do setor. Por ano, a atividade injeta R$ 2,8 bilhões na economia do Estado.
“Pelo menos por enquanto, não sabemos até quando podemos aguentar. O produtor do Agreste é quase um super-herói para se manter”, lamenta o presidente. As aves não podem ficar sem água por um instante sequer e o reservatório mais próximo fica a 40 quilômetros de distância da localidade. “Como atenuante, existe um entendimento junto ao Governo do Estado para construirmos uma adutora da Barragem de Pau Ferro, que hoje está preenchida em sua totalidade, para São Bento do Una”, diz.
A obra seria executada pela Construtora Getel, mas, por problemas internos, ela deixou as obras. Agora, a Ápia Engenharia, a segunda colocada na licitação, será convocada para erguer a obra de R$ 54 milhões, conveniada com a União por meio do Ministério da Integração. A conclusão permanece prevista para 2018, entretanto, a entrega oficial deve sofrer atrasos.
“A estratégia é manter o que temos, ou seja, um plantel com 100 mil aves. Porém, estou gastando mais e diminuindo as margens de lucro. Ou seja, nem crescemos e nem geramos empregos”, justifica. “O gasto para ter a água chega a ser de R$ 17 mil por mês, correspondente a quase 10% da nossa planilha de custos”, calcula.

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